quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Demétrio Magnoli 10-11-11

No Enem, a saudação ao Duce DEMÉTRIO MAGNOLI Questão do Enem, 2001: “A Lei 9.491, de 9 de setembro de 1997, criou o Programa Nacional de Desestatização, que reordena a posição estratégica do Estado na economia, transferindo à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público [Disponível em: http://www.planalto.gov.br]. A referida lei representa um avanço não só para a economia nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque (...)” Resposta, segundo o gabarito: “Amplia os investimentos produtivos e a riqueza geral da nação.” A questão acima é uma invenção minha: nunca foi proposta num Enem. Mas o que diria Fernando Haddad se, no governo FHC, o MEC a tivesse inserido num exame nacional que decide o futuro universitário de milhões de estudantes brasileiros? Desconfio que, coberto de razão, ele classificaria a prova como um gesto de covardia autoritária pelo qual os candidatos seriam forçados a se curvar à doutrina política do poder de turno, repetindo compulsoriamente o credo expresso no site do Planalto sob pena de exclusão do ensino superior. Pois o atual ocupante do MEC acaba de produzir um gesto assim, indigno de uma nação democrática, na mais recente edição do Enem. Eis o texto da questão: “A Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, inclui no currículo dos estabelecimentos de ensino (...) a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e determina que o conteúdo programático incluirá o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil (...). [Disponível em: http://www.planalto.gov.br]. A referida lei representa um avanço não só para a educação nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque (...)” Resposta, segundo o gabarito: “Impulsiona o reconhecimento da pluralidade étnicorracial do país.” Sob Haddad, o Enem converteu-se em campo de reeducação ideológica para jovens. Diante disso, pouco significam os sucessivos espetáculos de incompetência gerencial que o atormentam. A lei que os candidatos estão obrigados a celebrar não é uma ferramenta de combate ao preconceito racial, mas a condensação da doutrina racialista. Seu pressuposto é a divisão da humanidade em raças. Segundo ela, as pessoas não são indivíduos, mas componentes de “famílias raciais” definidas por ancestralidades supostas e involucradas em culturas singulares. As escolas, prega a lei, devem ensinar uma história particular do “povo negro” (por oposição implícita ao “povo branco”). Desde a mais tenra idade, os estudantes aprenderiam a enxergar a si mesmos como participantes de uma comunidade racial. O gabarito da questão está errado e inexiste resposta correta entre as alternativas apresentadas no exame. Mas a resposta certa, segundo o próprio MEC, consta de um parecer do Conselho Nacional de Educação no qual se explica que a lei “deve orientar para (...) o esclarecimento de equívocos quanto a uma identidade humana universal”. Tal resposta não aparece entre as alternativas pois ela explicitaria a insolúvel contradição entre a lei da educação racial e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que repousa sobre a afirmação da realidade de “uma identidade humana universal”. O contrato constitucional das democracias está amparado no princípio da pluralidade. O princípio significa que não se reconhece doutrina ou ideologia oficialmente verdadeira, à qual a nação deveria fidelidade ou obediência. Dele, extrai-se um corolário: o sistema de ensino não pode promover catequese ideológica. Escolas, livros didáticos e exames vestibulares não têm o direito de doutrinar — isto é, de atribuir estatuto de verdade científica ao que não passa de um ponto de vista político. Haddad evidencia no Enem a sua visceral aversão ao princípio da pluralidade. Ele é ministro num Estado democrático, mas sonha ser comissário de um Estado totalitário. A questão escandalosa não é um raio no céu claro. Nos últimos anos, enquanto se metamorfoseava em vestibular nacional, o Enem se converteu num pátio de folguedos da pedagogia da doutrinação. O desfile de catecismos ideológicos abrange, ao lado de versões cômicas de um marxismo primitivo, constrangedores panfletos do ambientalismo apocalíptico e manifestos rudimentares do multiculturalismo pós-moderno. Os exames, especialmente suas seções de ciências humanas, parecem emanar de um acordo de partilha territorial firmado entre os arautos acadêmicos do cortejo de ONGs e “movimentos populares” associados ao governo. Contudo, mesmo sobre esse deplorável pano de fundo, exigir que milhões de jovens estudantes repitam como autômatos as sílabas, palavras e frases escritas pelo Palácio do Planalto equivale a ultrapassar a fronteira da obscenidade. Meu avô materno, um antifascista perseguido pelo regime de Mussolini, deixou a Itália com a esposa e dois filhos pequenos na hora da eclosão da guerra mundial. No Brasil, beneficiando-se de uma bolsa de estudo baseada no mérito, minha mãe pôde ser matriculada no prestigioso Dante Alighieri, que era um colégio da comunidade italiana de São Paulo. Por uma dessas amargas ironias, durante dois anos, até a declaração brasileira de guerra ao Eixo, ela tinha a obrigação, compartilhada com todos os colegas, de fazer a saudação ao Duce à entrada da escola. A exposição a desenhos animados violentos não transforma crianças em adultos assassinos. A rotina da saudação diária a Mussolini em nada reduziu o desprezo devotado por minha mãe ao fascismo. Os estudantes não aderirão ao credo identitário do racialismo por serem compelidos a pagar pedágio à verdade ideológica oficial no Enem. Mas a democracia brasileira fica um pouco menor quando o ministro da Educação veste a fantasia do Duce. DEMÉTRIO MAGNOLI é sociólogo e doutor em geografia humana pela USP. E-mail: demetrio.magnoli@terra.com.br.

domingo, 6 de novembro de 2011

Aparelhamento da UNE

06/11/2011 às 14:50 \ O País quer Saber A degradação da UNE TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO Quase um ano depois de ter recebido R$ 30 milhões do governo Lula para construir sua sede na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, a União Nacional dos Estudantes (UNE) até agora não conseguiu ir além da pedra fundamental, que foi lançada pelo presidente Lula da Silva em dezembro do ano passado. A concessão desse valor foi justificada por Lula como pagamento de indenização devida pelo Estado brasileiro pelos danos patrimoniais à entidade durante o regime militar. Como a UNE não é uma entidade pública, o governo não podia transferir dinheiro dos contribuintes para custear as obras. A indenização por danos patrimoniais foi o expediente encontrado pelo governo Lula para contornar essa proibição legal. Primeiro, o governo reconheceu a responsabilidade da União na destruição do prédio da entidade, que foi incendiado em 1.º de abril de 1964. Em seguida, Lula autorizou a União a promover uma “reparação” no montante equivalente a seis vezes o valor de mercado do terreno. É muito dinheiro, mas nada garante que os dirigentes da UNE terão a competência necessária para a obra sem precisar pedir mais dinheiro público, em troca de apoio político aos governantes de plantão. Ao contrário do que ocorreu no passado, quando lutou efetivamente, tanto contra a ditadura Vargas quanto contra a dos militares, a UNE é hoje uma força auxiliar do governo e um reduto do PC do B. Desde a ascensão de Lula ao poder, em 2003, a UNE age como um órgão chapa-branca, apoiando todas as iniciativas administrativas e políticas do Palácio do Planalto. Pelos serviços prestados, ficou com o direito de indicar antigos dirigentes da entidade para o Ministério do Esporte – vários deles envolvidos no escândalo de repasses irregulares de recursos públicos a ONGs fantasmas – e ganhou polpudas verbas tanto da administração direta como da indireta, sob a justificativa de divulgar programas dos Ministérios da Educação, da Saúde, da Cultura e da Igualdade Racial, promover “caravanas da cidadania” em universidades federais, realizar jogos estudantis e organizar ciclos de debates. Só do Ministério do Esporte, a UNE ganhou um total de R$ 450 mil, entre 2004 e 2009, para promover eventos de “esporte educacional” e capacitação de gestores de esporte e lazer. Ao que parece, como os dirigentes da UNE transformam-se, em geral, em estudantes profissionais que não costumam frequentar salas de aulas, o lazer se converteu em sua principal “especialização”. Desde 1995, quando começou a obter verbas governamentais, a UNE já recebeu mais de R$ 44 milhões dos cofres públicos. Do montante acumulado nesses 17 anos, 97,4% foram desembolsados durante os oito anos de governo do presidente Lula. Os 2,6% restantes foram repassados pelo governo do presidente Fernando Henrique. Os números foram coletados pelo site Contas Abertas, com base no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). A exemplo do que está ocorrendo com a maioria das ONGs financiadas pelo Ministério do Esporte, a maneira como a UNE gasta o dinheiro dos contribuintes também é, no mínimo, perdulária. Depois de identificar recibos frios e gastos com restaurantes de luxo e bebida importada nas contas da entidade, o Ministério Público Federal pediu as cópias das prestações de contas da entidade aos Ministérios e empresas públicas e sociedades de economia mista com que mantém convênios. E, no dia 6 de agosto, a Procuradoria-Geral do Ministério da Fazenda lançou a UNE como inadimplente no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). Procurados para esclarecer o atraso da construção de sua sede com dinheiro público, os motivos das suspeitas do Ministério Público Federal e o que levou à inadimplência no Ministério da Fazenda, os dirigentes da entidade limitaram-se a afirmar que as obras da nova sede começarão em 2012 e que as verbas recebidas do governo têm sido gastas em “congressos e bienais da cultura”. Isso mostra a que nível de degradação política chegou a UNE.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Próstata

Câncer de próstata: nem sempre temível? FERNANDO COTAIT MALUF A monitorização continuada é outra opção terapêutica que deve ser discutida com os pacientes com câncer de próstata pouco agressivo O CÂNCER de próstata é hoje o mais comum dos tumores que acometem o homem. No passado, seu diagnóstico era, com frequência, feito em fases mais avançadas, já que não havia ainda a cultura da prevenção e do diagnóstico precoce, baseada em exames de toque retal e PSA, um marcador tumoral bastante fidedigno, preconizados em caráter anual a partir dos 50 anos de idade. Como consequência, a mortalidade por câncer de próstata caiu em 31% nos últimos 13 anos. As duas formas de tratamento mais utilizadas com o objetivo de cura são a cirurgia (chamada de prostatectomia radical) e a radioterapia, que, apesar de eficazes, podem apresentar complicações indesejáveis. Assim, 25% a 70% dos pacientes operados evoluem com algum grau de perda involuntária da urina e diminuição da potência sexual, e a radioterapia causa em 4% dos pacientes a incontinência urinária, em 31%, a limitação da potência sexual, e em 15%, sintomas irritativos do reto e da bexiga. Existem controvérsias na literatura médica sobre qual a melhor opção terapêutica, que deve ser definida em função de uma série de parâmetros: características do tumor, idade do paciente, existência de doenças associadas, índices de cura e de complicações e, evidentemente, qualidade de vida após o tratamento. Afinal, não é incomum pacientes que, embora curados, vivem atormentados por impotência, incontinência urinária ou dano aos órgãos adjacentes à próstata. Nas últimas décadas, muito se tem pesquisado para identificar fatores prognósticos no câncer de próstata, valorizando-se no presente aspectos clínicos, níveis de PSA, tamanho e grau de diferenciação do tumor, bem como aspectos genéticos e moleculares, almejando o objetivo de não só definir a melhor forma de tratamento para cada caso mas também de responder a uma intrigante questão: todos os pacientes precisam realmente ser tratados quando de seu diagnóstico de câncer de próstata? Ou mesmo em algum momento da vida? Assim, cientistas buscam fatores clínicos e patológicos que possam auxiliar na identificação de pacientes com tumores de próstata menos agressivos, sem risco iminente à saúde e sem a real necessidade de tratamento imediato, denominados tumores indolentes. Aparentemente, encaixam-se nesse grupo as neoplasias bem diferenciadas, pequenas e confinadas à glândula e que geram níveis baixos de PSA. De acordo com alguns estudos, elas representam de 15% a 55% de todos os tumores de próstata. Para os pacientes que se enquadram nessa situação, fala-se hoje na estratégia conhecida mundialmente como "watchful and waiting", que é postergar ao máximo a indicação de tratamento ou mesmo evitá-lo. Nesse sentido, duas importantes publicações internacionais revelam que só dois de 620 pacientes de bom prognóstico, inicialmente observados dentro dessa estratégia, morreram em decorrência do câncer de próstata em um período de observação de 3,5 a oito anos. No intervalo avaliado, entre 60% e 76% dos pacientes não necessitaram de nenhuma forma de tratamento (e muitos deles talvez nunca venham a necessitar). Bastante relevante é o fato de que os pacientes tratados posteriormente, quando houve a indicação, não apresentaram aparente prejuízo em suas chances de cura, além de poderem aproveitar por anos, de modo amplo, os aspectos fisiológicos pertinentes à potência sexual, à continência urinária e à integridade de outros órgãos e aparelhos. Essa estratégia, quando bem indicada, pode, além de blindar os pacientes contra possíveis efeitos colaterais decorrentes dos tratamentos, evitar gastos enormes com terapêuticas de pequeno impacto positivo. Em suma, a monitorização continuada ("watchful and waiting") representa, numa época de grandes avanços tecnológicos, mais uma opção terapêutica que deve ser discutida com os pacientes com câncer de próstata pouco agressivo e que desejam preservar sua qualidade de vida, contrapondo-se ao tratamento imediato, preconizado para os pacientes cujos tumores apresentam características que podem colocar a vida em risco. Assim, para o futuro, torna-se imperativo distinguir com mais propriedade o grau de agressividade do câncer de próstata, a fim de propiciar a melhor forma de tratamento para cada paciente, evitando "supertratar" os pacientes e macular um dos aforismos mais tradicionais da medicina: "primum, non nocere" [antes de tudo, não causar dano]. FERNANDO COTAIT MALUF, doutor em urologia pela Faculdade de Medicina da USP, é coordenador do Programa de Residência de Oncologia Clínica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Questão Judaica

Assunto: Artigo Folha de São Paulo - A questão judaica - Luiz Felipe Pondé - segunda-feira, 24 de outubro de 2011 A QUESTÃO JUDAICA Estou em Jerusalém. Sou a favor do Estado palestino, mas acho que uma das coisas mais inúteis entre nós é discutir o problema israelo-palestino. Falta informação. Quando um ministro israelense disse que Lula deveria estudar a história do conflito antes de se meter, não era piada. A mídia tem claro viés contra Israel. Fotos de palestinos em sangue após ataques de Israel abundam, mas fotos de israelenses em pedaços nos inúmeros ataques ou mísseis lançados contra o Estado judeu nos últimos anos raramente são vistas. Muita gente nada sabe da história do conflito, mas tem uma certeza pétrea contra Israel. De onde vem essa fúria? Da velha “questão judaica” (o habito de ver os judeus como “causa” dos problemas)? Nada sabe sobre o fato de que as fronteiras de Israel não são minimamente seguras e que a paz armada que aqui existe é devido ao gigantesco poder militar superior de Israel sobre os países árabes e muçulmanos da região e à paranoia da segurança vigiada contínua. Separar a questão palestina da ameaça iraniana é coisa de quem não entende nada do assunto ou é ideológico. Se países e terroristas muçulmanos não destroem Israel é porque não podem, e não porque não querem. Poucos grupos palestinos estão dispostos a negociar reconhecendo a existência de Israel. Muitos continuam com a antiga política de “judeus ao mar”. O argumento da insegurança geopolítica de Israel é fato real, mesmo que muitos especialistas se recusem a levar em conta por razões ideológicas. Este argumento é usado por grupos israelenses radicais contra as negociações. E por isso esses radicais ganham força para criar colônias na Cisjordânia. Muitos israelenses são a favor da fundação do Estado palestino, mesmo sabendo que nem por isso os ganhos geopolíticos serão imediatos. O problema israelo-palestino é um problema israelo-árabe-mulçumano. A origem foi a recusa dos países árabes em aceitar a fundação do Estado de Israel em 1948 e a guerra a ele declarada em seguida. A manchete do “New York Times” de 15 de maio de 1948 falava da decisão egípcia de invadir Israel. Esses países nunca estiveram interessados num Estado dos árabes (hoje denominados “palestinos”), que viviam na parte designada para eles na “partilha da Palestina”, feita pelos ingleses que eram donos da terra. Mesmo o fato de que jamais existiu nos últimos 3.000 anos qualquer unidade política autônoma aqui, a não ser o reino judeu, é desconhecido por muita gente boa. A região era chamada de Judeia (como assim o foi por milênios) e apenas os romanos, no século 2 d.C., passaram a usar o nome “Palestina” como parte da dissolução do reino judeu. A vinda dos judeus europeus no século 20 para cá foi motivada (além do nazismo) justamente por esta continuidade histórica comprovada e interrompida desde a destruição pelos romanos do reino israelita no início da Era Cristã. Continuidade nunca perdida, como comprova a “oração” judaica: “Este ano aqui, ano que vem em Jerusalém”. Dizer que os palestinos seriam os filisteus é semelhante a dizer que os europeus são neandertais porque estes viviam lá 50 mil anos atrás. Não há nenhuma continuidade arqueológica ou cultural que comprove a relação filisteus-palestinos, ao contrário da continuidade israelita antiga e moderna, sobre a qual, aliás, se sustenta grande parte da cultura ocidental. A hipótese do historiador israelense “pós-sionista” Shlomo Sand, que nega a continuidade judaica, está longe de ser hegemônica, mas vale a pena ler “A Invenção do Povo Judeu”, ed. Benvirá, apesar do viés anti-Israel do autor. Será que em algum país árabe ou no Irã alguém poderia escrever um livro “contra si mesmo”? Quase sempre quem critica Israel são pessoas com motivações ideológicas que identificam na questão uma causa contra o imperialismo judaico ou americano. Ou “pior”: a convergência entre o atávico antissemitismo e o sentimento anti-Israel é óbvia e se comprova em falas ainda atuais como “Israel só existe por conta da grana dos judeus americanos que mandam nos EUA”. A velha “questão judaica” não acabou.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lula analisado-25-10-2011 O Globo

Lula para sempre MARCO ANTONIO VILLA Luiz Inácio Lula da Silva não é um homem de palavra. Proclamou diversas vezes que, ao terminar o seu mandato presidencial, iria se recolher à vida privada e se afastar da política. Mentiu. Foi mais uma manobra astuta, entre tantas que realizou, desde 1972, quando chegou à diretoria do sindicato de São Bernardo, indicado pelo irmão, para ser uma espécie de porta-voz do Partidão (depois de eleito, esqueceu do acordo). A permanente ação política do ex-presidente é um mau exemplo para o país. Não houve nenhuma acusação de corrupção no governo Dilma sem que ele apoiasse enfaticamente o acusado. Lula pressionou o governo para não “aceitar as pressões da mídia”. Apresentou a sua gestão como exemplo, ou seja, nunca apurou nenhuma denúncia, mesmo em casos com abundantes provas de mau uso dos recursos públicos. Contudo, seus conselhos não foram obedecidos. Não deve causar estranheza este desprezo pelo interesse público. É típico de Lula. Para ele, o que vale é ter poder. Qualquer princípio pode ser instrumento para uma transação. Correção, ética e moralidade são palavras desconhecidas no seu vocabulário. Para impor a sua vontade passa por cima de qualquer ideia ou de pessoas. Tem obtido êxito. Claro que o ambiente político do país, do herói sem nenhum caráter, ajudou. E muito. Ao longo do tempo, a doença do eterno poder foi crescendo. Começou na sala de um sindicato e terminou no Palácio do Planalto. E pretende retornar ao posto que considera seu. Para isso, desde o dia 1 de janeiro deste ano, não pensa em outra coisa. E toda ação política passa por este objetivo maior. Como de hábito, o interesse pessoal é o que conta. Qualquer obstáculo colocado no caminho será ultrapassado a qualquer custo. O episódio envolvendo o ministro do Esporte é ilustrativo. A defesa enfática de Orlando Silva não dependeu da apresentação de provas da inocência do ministro. Não, muito pelo contrário. O que contou foi a importância para o seu projeto presidencial do apoio do PCdoB ao candidato petista na capital paulista. Lula sabe que o primeiro passo rumo ao terceiro governo é vencer em São Paulo. 2014 começa em 2012. O mesmo se repetiu no caso do Ministério dos Transportes e a importância do suporte do PR, independentemente dos “malfeitos”, como diria a presidente Dilma, realizados naquela pasta. E, no caso, ainda envolvia o interesse pessoal: o suplente de Nascimento no Senado era o seu amigo João Pedro. O egocentrismo do ex-presidente é antigo. Tudo passa pela mediação pessoal. Transformou o delegado Romeu Tuma, chefe do Dops paulista, onde centenas de brasileiros foram torturados e dezenas foram assassinados, em democrata. Lula foi detido em 1980, quando não havia mais torturas. Recebeu tratamento privilegiado, como mesmo confessou, diversas vezes, em entrevistas, que foram utilizadas até na campanha do delegado ao Senado. Nunca fez referência às torturas. Transformou a casa dos horrores em hotel de luxo. E até chegou a nomear o filho de Tuma secretário nacional de Justiça!! O desprezo pela História é permanente. Estabeleceu uma forte relação com o símbolo maior do atraso político do país: o senador José Ribamar da Costa, vulgo José Sarney. Retirou o político maranhense do ocaso político. Fez o que Sílvio Romero chamou de “suprema degradação de retrogradar, dando, de novo, um sentido histórico às oligarquias locais e outorgando-lhes nova função política e social”. E pior: entregou parte da máquina estatal para o deleite dos interesses familiares, com resultados já conhecidos. O desprezo pelos valores democráticos e republicanos serve para explicar a simpatia de Lula para com os ditadores. Estabeleceu uma relação amistosa com Muamar Kadafi (o chamou de “amigo, irmão e líder”) e com Fidel Castro (outro “amigo”). Concedeu a tiranos africanos ajuda econômica a fundo perdido. Nunca — nunca mesmo — em oito anos de Presidência deu uma declaração contra as violações dos direitos humanos nas ditaduras do antigo Terceiro Mundo. Mas, diversas vezes, atacou os Estados Unidos. Desta forma, é considerável a sua ojeriza a qualquer forma de oposição. Ele gosta somente de ouvir a sua própria voz. Não sabe conviver com as críticas. E nem com o passado. Nada pode se rivalizar ao que acredita ser o seu papel na história. Daí a demonização dos líderes sindicais que não rezavam pela sua cartilha, a desqualificação dos políticos que não aceitaram segui-lo. Além do discurso, usou do “convencimento” financeiro. Cooptou muitos dos antigos opositores utilizando-se dos recursos do Erário. Transformou as empresas estatais em apêndices dos seus desejos. Amarrou os destinos do país ao seu projeto de poder. Como o conde de Monte Cristo, o ex-presidente conta cada dia que passa. A sua “vingança” é o retorno, em 2014. Conta com a complacência de um país que tem uma oposição omissa, ou, na melhor das hipóteses, tímida. Detém o controle absoluto do PT. Usa e abusa do partido para fortalecer a sua capacidade de negociação com outros partidos e setores da sociedade. É obedecido sem questionamentos. Lula é uma avis rara da política brasileira. Nada o liga à nossa tradição. É um típico caudilho, tão característico da América Hispânica. Personalista, ególatra, sem princípios e obcecado pelo poder absoluto. E, como todo caudilho, quer se perpetuar no governo. Mas os retornos na América Latina nunca deram certo. Basta recordar dois exemplos: Getúlio Vargas e Juan Domingo Perón. MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

domingo, 23 de outubro de 2011

Impunidade

JOÃO UBALDO RIBEIRO Distinto leitor, encantadora leitora, ponham-se na pele de quem tem de escrever toda semana. Não me refiro à obrigação de produzir um texto periodicamente, sem falhar. Às vezes, como tudo na vida, é um pouquinho chato, mas quem tem experiência tira isso de letra, há truques e macetes aprendidos informalmente ao longo dos anos e o macaco velho não se aperta. O chato mesmo, na minha opinião, é o “gancho”, o pé que o texto tem de manter na realidade que o circunda. Claro, nada impede que se escreva algo inteiramente fantasioso ou delirante, mas o habitual é que o artigo ou crônica seja suscitado pelo cotidiano, alguma coisa que esteja acontecendo ou despertando interesse. Pois é. Hoje, outra vez, qual é o gancho? Quer se leia o jornal, quer se converse na esquina, só se fala em ladroagem. Roubalheiras generalizadas, desvios, comissões, propinas. Rouba-se tudo, em toda parte. Roubam-se recursos do governo na União, nos estados e nos municípios. Roubam-se donativos humanitários e verbas emergenciais destinadas a socorrer flagelados. Rouba-se material, rouba-se combustível, rouba-se o que é possível roubar. Qual é, então, o gancho? Só pode ser a ladroagem. Não há outro, pelo menos que eu veja. É o tema do dia, não adianta querer escolher outro, ele se impõe. Hoje creio que não há um só brasileiro ou brasileira (de vez em quando eu acerto no uso desta nova regra de distinguir os gêneros) que não tenha a convicção de que pelo menos a maior parte dos governantes, nos três poderes, é constituída de privilegiados abusivos e larápios, no sentido mais lato que o termo possa ter. Já nos acostumamos, faz parte do nosso dia a dia, ninguém se espanta mais com nada, qualquer mirabolância delinquente pode ser verdade. E também já nos acostumamos a que não aconteça nada aos gatunos. Não só permanecem soltos, como devem continuar ricos com o dinheiro furtado, porque não há muita notícia de devoluções. Ou seja, por mais que alguma autoridade nos diga expressamente o contrário, usando um juridiquês duvidoso e estatísticas entortadas, a verdade é que, no Brasil, o crime compensa. Presumo que até os assaltantes pés de chinelo tenham pelo menos a vaga percepção de que todos os poderosos roubam e, portanto, fica mais uma vez comprovado que quem não rouba é otário. Às vezes, chega a parecer que existe uma central programadora de falcatruas, pois a engenhosidade dos ladrões não tem limites e, hoje, analisar somente os golpes dados em um ou dois ministérios requereria um profissional especializado, com anos de estudo e experiência. É criado um órgão ou despesa, aparece logo uma quadrilha dedicada a furtar desse órgão ou abiscoitar essa despesa. Suspeitamos de tudo, de obras públicas a loterias, da polícia aos tribunais. Contamos nos dedos os governantes, em qualquer dos três poderes, em que ainda acreditamos que podemos confiar — e é crescente a descrença neles, bem como o cinismo e a apatia diante de uma situação que parece insolúvel e da qual, como quem cumpre uma sina má, jamais nos desvencilharemos. Não seria de todo descabida a afirmação de que somos uma sociedade sem lei. Sob certos aspectos, somos mesmo, porque as nossas leis não têm dentes, não mordem ninguém. Mesmo na hipótese de um assassinato ser esclarecido, o que está longe da regra, estamos fartos de ver homicidas ficarem praticamente impunes por força de uma labiríntica e deploravelmente formalista rede de recursos, firulas jurídicas e penas brevíssimas. A possibilidade de, mesmo confesso, um homicida jamais ser de fato punido, a não ser muito levemente, é concretizada todo dia. Aqui matar é cada vez mais trivial e muitos assaltantes atiram pelo prazer de atirar, matam pelo gosto de matar. Não sei em que outro país do mundo o sujeito entra numa delegacia policial levando o cadáver da vítima, mostrando a arma do crime e confessando sua autoria, para ser posto em liberdade logo em seguida, já cercado de advogados e manobras para evitar a cadeia. É difícil de acreditar, mesmo sabendo-se que é verdade documentada. Réu primário, moradia conhecida, ocupação fixa etc. e tal e o sujeito vai para casa quase como se nada tivesse acontecido, talvez até trocando um aperto de mão com o delegado, como já imaginei aqui. Ou seja, é crime, mas é mole matar no Brasil, o preço é muito em conta. E essa situação não envolve apenas os ricos, porque os outros também estão aprendendo, como foi o caso de um jovem assaltante de São Paulo, que muitos de vocês devem ter visto na TV. Apresentou-se numa delegacia espontaneamente, é réu primário, tem residência fixa etc. etc. Embora tenha posto a culpa na vítima, por esta haver reagido, confessou o crime. Foi solto logo em seguida, saindo muito sorridente da delegacia. E, se um dia vier a ser condenado, contará com um mar de recursos à sua disposição, complementados pelos benefícios a que terá direito, com a progressão da pena. Já tive oportunidade de dizer aqui que a melhor maneira de assassinar alguém no Brasil é encher a cara, sair no carro e atropelar a vítima. Encher a cara é agravante em toda parte, mas aqui parece funcionar como uma espécie de atenuante. Fica-se discutindo se o homicídio é doloso ou culposo, se o que vale no caso é o Código de Trânsito ou o Código Penal e, no fim das contas, o que acontece é o atropelador pagar fiança, ir embora para casa e esperar, na pior das hipóteses, ser enquadrado numa dessas leis desdentadas e cumprir pena em liberdade, ou quase isso. O que, somado ao que está dito acima, leva mesmo a concluir que, entre nós, o crime compensa. E, talvez graças aos exemplos dados por parlamentares e outros governantes, estamos assistindo à democratização da impunidade, que gradualmente deixa de ser privilégio dos ricos e poderosos para se estender a todos. Tá dominado. JOÃO UBALDO RIBEIRO é escritor. oglobo.com.br/opiniao Aqui matar é cada vez mais trivial Sent from my iPad

domingo, 16 de outubro de 2011

Economist Saúde e Ondas de rádio.

Difference engine Worrying about wireless Technology and society: Concerns about the danger posed to human health by radio waves are misplaced—and increasingly irrelevant. The use of phones while driving is far more likely to cause harm Sep 3rd 2011 | from the print edition ALTHOUGH the myth that mobile phones cause cancer has been laid to rest, an implacable minority remains convinced of the connection. Their fears have been aggravated of late by bureaucratic bickering at the World Health Organisation (WHO). Let it be said, once and for all, that no matter how powerful a radio transmitter—whether an over-the-horizon radar station or a microwave tower—radio waves simply cannot produce ionising radiation. The only possible effect they can have on human tissue is to raise its temperature slightly. In the real world, the only sources of ionising radiation are gamma rays, X-rays and extreme ultra-violet waves, at the far (ie, high-frequency) end of the electromagnetic spectrum—along with fission fragments and other particles from within an atom, plus cosmic rays from outer space. These are the sole sources energetic enough to knock electrons out of atoms—breaking chemical bonds and producing dangerous free radicals in the process. It is highly reactive free radicals that can damage a person’s DNA and cause mutation, radiation sickness, cancer and even death. By contrast, at their much lower frequencies, radio waves do not pack anywhere near enough energy to produce free radicals. The “quanta” of energy (ie, photons) carried by radio waves in, say, the UHF band used by television, Wi-Fi, Bluetooth, cordless phones, mobile phones, microwave ovens, garage remotes and many other household devices have energy levels of a few millionths of an electron-volt. That is less than a millionth of the energy needed to cause ionisation. All of which leaves doctors more than a little puzzled as to why the WHO should recently have reversed itself on the question of mobile phones. In May the organisation’s International Agency for Research on Cancer (IARC) voted to classify radio-frequency electromagnetic fields (ie, radio waves) as “a possible carcinogenic to humans” based on a perceived risk of glioma, a malignant type of brain cancer. A year earlier, after a landmark, decade-long study undertaken by teams in 13 countries, the IARC had reported that no adverse health effects associated with the use of mobile phones could be found. As for the heating effects of radio waves, the increase in temperature of the skin caused by holding a phone close to the ear was found to be an order of magnitude less than that caused by direct sunlight. The Group 2B classification the IARC has now adopted for mobile phones designates them as “possible”, rather than “probable” (Group 2A) or “proven” (Group 1) carcinogens. This rates the health hazard posed by mobile phones as similar to the chance of getting cancer from coffee, petrol fumes and false teeth. That has not stopped the tinfoil-hat brigade from continuing to believe that deadly waves in the ether are frying their brains. Lately the paranoia has spread to the smart meters being introduced by electrical utilities in various parts of the world. Smart meters are designed to relay wireless messages to the power company about a household’s pattern of electricity use. Such real-time data could help utilities manage their generating capacity more intelligently. But a backlash among homeowners in northern California, who fear they are about to be drenched in dangerous radio waves, has forced a handful of municipalities to slap moratoriums on the smart meters being introduced by Pacific Gas & Electric. Customers will be given the option to keep their old analogue meters, but will be charged for having someone come to read them every month. Actually, smart meters are just about the last thing that people need worry about. In an independent study released in April, the California Council on Science and Technology, an advisory arm of the state legislature, concluded that wireless smart meters produce much lower levels of radio-frequency exposure than many existing household devices—especially microwave ovens. The council noted that, to date, it had not been possible to identify any health problems resulting from potential non-thermal effects of radio waves (should such effects exist). But nor had it been possible to show categorically that there weren’t any. You can’t prove a negative The latter is next to impossible. Indeed, by classifying mobile phones as a Group 2B risk, what the IARC was effectively saying (and the California Council on Science and Technology implying) was that, even if such a health risk exists, there is no way of ever ruling out bias, chance or other confounding circumstance with any reasonable degree of confidence. So, to hedge bets, protect careers and guarantee future funding, the obvious thing to suggest is yet more research on the long-term, heavy use of mobile phones. The most likely result is that the results will be equally inconclusive. And equally irrelevant. The Twitter generation tweets and texts rather than talking. Older people are catching up fast. According to Nielsen, a market-research firm, the number of text messages sent and received by Americans aged between 45 and 54 rose by 75% in the year to the second quarter of 2010. Over the same period, the number of phone calls made and received by adults of all ages fell by 25%. Meanwhile, for those who still insist on yakking, hands-free is fast becoming the norm, thanks to stiffer penalties for using handsets while driving and the spread of Bluetooth headsets. The whole brouhaha over mobile phones causing brain cancer is a monumental irrelevance compared with scofflaws who insist on using their handsets to text or talk while driving. Regretfully, that is a far more likely cause of death or disfigurement than some inexplicable form of radio-induced glioma. from the print edition | Technology Quarterly Recommend 49 Submit to reddit inShare42

sábado, 8 de outubro de 2011

Pensamento Lapidar

Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa: Quando você perceber que para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensa e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

domingo, 2 de outubro de 2011

Resgate do Kuala na Austrália


Vamos começar bem esta semana, refletindo sobre esta mensagem, porque na vida só vale o que temos dentro de nós e o quanto podemos nos doar. Fiquem em paz.
bjs. Como bem disse Mario Quintana...
"Quem não entende um olhar , muito menos entenderá uma longa explicação ."




São pequenos gestos que podem mudar o amanhã de alguém especial.
De vez em quando há coisas bonitas que valem a pena partilhar.
NÃO BASTA APAGAR O FOGO...



Foto da frente de combate ao incêndio que devastou a Austrália.
Essa é uma das imagens mais lindas que já vi. Olha a troca: olhar, gesto....maravilhoso! O universo é um, não importa se somos um monte de átomos que forma a espécie (animal) humana, vegetal, estrelar..... somos poeira atômica do mesmo sistema, do mesmo universo, não somos nem mais nem menos. O que nos faz maior ou menor é isso, esse gesto lindo que vem da chama divina que cada um possui mais ou menos acesa (alguns esquecem ou desconhecem que a possuem) dentro de si.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Francisco Bosco 2º caderno Globo 10-8-2011

Tolerância zero
Há três anos, o ator Wagner Moura saía de uma entrega de prêmios quando foi abordado por um suposto repórter de programa de TV do interior. Wagner, que já entrava no táxi, decidiu, por gentileza, conceder-lhe uma entrevista. De repente, surge outra pessoa por trás dele e, com a mão lambuzada de gel, esfrega a pasta viscosa na cabeça do ator enquanto ri para a câmera. Eram os “humoristas” do programa “Pânico na TV”. O que está acontecendo agora com o jogador Fred, do Fluminense, perseguido e ameaçado, nas ruas e na porta de sua casa, por membros de uma torcida organizada, tem uma semelhança estrutural com a agressão sofrida por Wagner Moura, mas é ainda mais grave, pois passa do plano da mera estupidez covarde ao âmbito da violência velada ou efetiva. Esse episódio merece um repúdio veemente, irrestrito e incondicional. Não é o que a imprensa vem fazendo. Começo por um ângulo psicanalista. O futebol é um fenômeno que envolve muitas dimensões: estéticas, antropológicas, econômicas etc. Uma dessas dimensões, tão fundamental quanto perigosa, é a que a psicanálise lacaniana entende como imaginária. O imaginário é o registro mais primitivo da experiência do sujeito; é o âmbito da formação do ego, o conjunto de imagens, de identificações, que forma o ego de alguém, isto é, a imagem que o sujeito tem de si próprio. A escolha de um time é uma identificação imaginária. “Eu sou Flamengo”, ou seja, identifico-me com o Flamengo, o clube é uma das imagens que sustentam o meu narcisismo, a ideia que faço de mim mesmo. É daí que pode vir a agressividade no futebol: um imaginário decepcionado, contrariado, sente ameaçada a consistência da imagem que fazemos de nós mesmos, e tendemos a ser agressivos para tentar manter nossa imagem, que consideramos ameaçada pelo outro. É isso o que acontece entre torcedores brigões. As pessoas mais civilizadas, no caso, mais constituídas pelo registro simbólico, são em geral capazes de participar da identificação imaginária, torcendo por seus clubes, contentando-se e sofrendo por eles, mas com certo distanciamento, relativizando ao mesmo tempo essa identificação, o que as previne de agredir fisicamente alguém identificado à imagem de um adversário (quando vou ao estádio com amigos filósofos, há um ligeiro mal-estar nas manifestações de expressão imaginária, como pular, cantar os hinos da torcida, etc.: pois todos sabemos que, entre nós, uma tal plenitude imaginária é impossível). Mas as pessoas que são menos constituídas pelo simbólico tendem a se identificar plenamente com seus clubes, e aí a possibilidade da violência é iminente. Torcidas organizadas são uma formação imaginária dentro de um contexto já imaginário. Sem esse âmbito da identificação o futebol seria um esporte tão passional e mobilizador das massas quanto o golfe. Mas é preciso que se relativize esse plano imaginário o tempo todo, desarmando a bomba que ele é. No meu entender, esse deveria ser o papel da imprensa. Sou, por isso, obrigado a discordar da “opinião” manifestada pelo caderno de esportes deste jornal, na edição do último sábado, a propósito do caso Fred. Nela, escreveu-se: “Privacidade é direito constitucional, mas ele tem alguns condicionantes no caso de pessoa pública. Se ganha o bônus da popularidade — expresso também em cifras —, ela paga o inevitável ônus de atrair a atenção geral. No futebol, há jogadores conhecidos pelo comportamento nada profissional — o que não é motivo para agressões. Mas desvios existem, e os torcedores, nos limites da lei, podem externar o desagrado com os ídolos (...)”. Discordo desse texto. O direito à privacidade não tem condicionantes. Se um jogador conduz sua vida privada de modo a que ela prejudique seu desempenho profissional, é exclusivamente no âmbito profissional que isso deve ser criticado e que ele deve sofrer as consequências: os torcedores vaiem, os jornalistas critiquem, o valor de mercado caia. Qualquer extrapolação para o âmbito da vida privada deve ser repudiada e, em casos como o de Fred, levada à polícia (segundo o jogador, alguns de seus perseguidores são fichados por homicídio e formação de quadrilha). O argumento de que celebridades têm que arcar com o “ônus” da fama é inaceitável. Se há uma estrutura injusta no capitalismo globalizado, que concentra brutalmente a renda, elas não são culpadas por isso. Há uma revanche ela mesma imaginária nesse argumento, que legitimaria as perseguições de torcedores a jogadores: “eles são ricos e famosos, então devem andar na linha”, isto é, não devem abusar das possibilidades de gozo que lhes são oferecidas, senão devem ser punidos. Jornalistas que admitem que “desvios” de conduta na vida privada (que podem prejudicar o desempenho público) são passíveis de cobranças na vida privada deviam considerar que o papel público de suas profissões é muito mais importante que o dos jogadores. Se, entretanto, eles tiverem apurado mal uma matéria porque tinham bebido na noite anterior e estavam de ressaca, creio que não gostariam de que um bando de assinantes do jornal ameaçassem-nos na porta de suas casas. Cabe ao leitor suspeitar de sua credibilidade; e, ao jornal, adverti-los ou demiti-los em caso de reincidências. Defender que jogadores de futebol sejam tratados de forma diferente porque são ricos e famosos é assumir uma posição de espírito não legalista, já que discriminatória, e deixar-se levar pelos mesmos princípios imaginários dos torcedores com que Fred recusou-se, corajosamente, a conversar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dilma ouviu o prof. "Cachorrão"

ELIO GASPARI

Dilma ouviu o prof. "Cachorrão"

O comissariado diz que "o mercado" não percebeu o negócio do trem-bala, é o contrário: percebeu tudo


O FRACASSO DO LEILÃO do trem-bala foi o primeiro grande sucesso do governo Dilma Rousseff. Zero a zero e bola ao centro. Mandaram para o zoológico a girafa nascida na Valec do doutor Juquinha e redesenhada na Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Uma geração de engenheiros formados na PUC do Rio lembra-se do professor Ademar Fonseca, titular de mecânica. Pelo porte e pela voz tinha o apelido de "Cachorrão". Um dia, deu zero a um aluno que resolvera o problema, mas, na última linha, errara na vírgula. Ao invés de oito, escrevera 80: "Professor, é uma vírgula. Está tudo certo. Cinco páginas de prova e uma vírgula!".
"Cachorrão" deu-lhe uma lição que ficaria para a vida: "Menino, isso é para você aprender. Um engenheiro não pode fazer um erro de vírgula. Uma ponte não pode ter 8 metros ou 80 metros. Você mergulha em uma questão complexa, depois, quando você termina, você se afasta e olha o jeitão da coisa. Pelo jeitão você vai ver se é 8 ou 80. Então, é zero mesmo!".
Um trem que custaria R$ 19 bilhões, bancado pela iniciativa privada, arriscava sair, com a ajuda de uma estatal e da Viúva, por R$ 33 bilhões. Falando sério, R$ 45 bilhões, pelo menos. Pelo jeitão, alguma conta estava errada. Não era um projeto de trem unindo o Rio a São Paulo e, mais tarde, a Campinas. Era um prelúdio da formação de cleptoconsórcios que habitualmente acabam no noticiário policial e em CPIs.
Pela primeira vez em muitos anos, as grandes empreiteiras nacionais recusaram-se a entrar numa aventura. O comissário da ANTT, Bernardo Figueiredo, disse que "nós não conseguimos que o mercado percebesse e encontrasse condições de fazer alianças". Deu-se o oposto: o mercado percebeu tudo e seguiu o ensinamento de "Cachorrão". Olhou para o "jeitão" do negócio e afastou-se dele.
O trem-bala não tem traçado, projeto ou estimativa de demanda que demonstre sua viabilidade. Pode-se discutir até mesmo sua prioridade, pois por R$ 33 bilhões constroem-se 100 quilômetros de linhas de metrô em cidades brasileiras.
Tomado pelos murmúrios, o trem sairia do Rio, mas não se sabe de onde. Seu ponto de chegada em São Paulo ficaria longe do metrô. Mais: faria alguns percursos nas duas cidades rodando sobre vias elevadas.
Aquilo que foi um trem Rio de Janeiro-São Paulo chegou a ser um projeto que, na primeira fase, ligaria Campinas a São José dos Campos. Por conta das facilidades topográficas, a linha Campinas-São José pode ser economicamente mais atraente do que a Rio-São Paulo, mas essa gambiarra é uma reencarnação do J. Pinto Fernandes da poesia de Drummond, aquele que se casou com Lili, mas "não tinha entrado na história".
Se os ensinamentos do professor "Cachorrão" tivessem sido absorvidos pelos poderosos do Planalto, o Brasil não teria torrado US$ 18 bilhões (em dinheiro de 1982) num acordo nuclear com a Alemanha. Também não teria construído a Ferrovia do Aço (cerca de US$ 4 bilhões) para transportar pedras a 100 quilômetros por hora.
Há momentos em que a melhor decisão é parar a máquina da grande ideia. Lula teve a sabedoria de mandar para o lixo a teatralidade onipotente do Fome Zero. No seu lugar, ergueu o êxito do Bolsa Família.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

País do futebol

Festa macabra
DEMÉTRIO MAGNOLI e ADRIANO LUCCHESI
“Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável”, escreveu o “Times” de Johanesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos. “Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?” A constatação estava certa; a sugestão, errada. O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos. Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais “dificuldades” seriam solucionadas “dentro de nossa família”. As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram a marca de US$4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul. O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte. O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América. Como constatou a “Sports Industry Magazine”, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram “a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados”. A Copa é um roubo: as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação “constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos”. O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa, a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes. Por isso, a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade. Encaixam-se no perfil a África do Sul e o Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022. Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte. A África do Sul gastou US$4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país. O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e também do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johanesburgo. Os ônibus enfrentavam uma selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo. O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que, sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente. Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal. A África do Sul incinerou US$2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johanesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$650 milhões e usado apenas 12 vezes depois da Copa. Lá, desenrola-se um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain. O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul. Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais. O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa. O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais. De acordo com a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do “orgulho nacional”. De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local. O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da lei de licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.
DEMÉTRIO MAGNOLI é sociólogo e doutor em geografia humana pela USP. E-mail: demetrio.magnoli@terra.com.br. ADRIANO LUCCHESI é administrador de empresas e mestre em turismo sustentável.

TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ

O seguinte artigo publicado em Espanha, em 2008, foi escrito por um não-judeu.
Nunca veremos este gênero de artigo na nossa imprensa. Ele ofenderia muitas pessoas. Foi escrito pelo escritor espanhol Sebastian Vilar Rodriguez e publicado num jornal espanhol, em 15 de Janeiro de 2008.
Não é preciso muita imaginação para extrapolar a mensagem ao resto da Europa e possivelmente ao resto do mundo.

TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ
Por Sebastian Vilar Rodriguez

Desci uma rua em Barcelona, e descobri repentinamente uma verdade terrível. A Europa morreu em Auschwitz. Matámos seis milhões de Judeus e substituímo-los por 20 milhões de muçulmanos.
Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade, e talento.
Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo.
A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comercio internacional, e acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimamos.
E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho.
Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime.
Fechados nos seus apartamentos eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planejam o assassinato e a destruição dos seus ingênuos hospedeiros.
E assim, na nossa miséria, trocamos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa, por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição.
Trocamos a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu apego à vida porque a vida é santa, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.

Que terrível erro cometido pela miserável Europa.
O total da população islâmica (ou muçulmana) é de, aproximadamente, 1 200 000 000, isto é um bilhão e duzentos milhões ou seja 20% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:
Literatura
1988 Najib Mahfooz

Paz
1978 Mohamed Anwar El-Sadat
1990 Elias James Corey
1994 Yaser Arafat
1999 Ahmed Zewai

Economia
(ninguém)

Física
(ninguém)

Medicina
1960 Peter Brian Medawar
1998 Ferid Mourad

TOTAL: 7 (sete)

O total da população de Judeus é, aproximadamente, 14 000 000, isto é catorze milhões ou seja cerca de 0,02% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura
1910 - Paul Heyse
1927 - Henri Bergson
1958 - Boris Pasternak
1966 - Shmuel Yosef Agnon
1966 - Nelly Sachs
1976 - Saul Bellow
1978 - Isaac Bashevis Singer
1981 - Elias Canetti
1987 - Joseph Brodsky
1991 - Nadine Gordimer World

Paz
1911 - Alfred Fried
1911 - Tobias Michael Carel Asser
1968 - Rene Cassin
1973 - Henry Kissinger
1978 - Menachem Begin
1986 - Elie Wiesel
1994 - Shimon Peres
1994 - Yitzhak Rabin

Física
1905 - Adolph Von Baeyer
1906 - Henri Moissan
1907 - Albert Abraham Michelson
1908 - Gabriel Lippmann
1910 - Otto Wallach
1915 - Richard Willstaetter
1918 - Fritz Haber
1921 - Albert Einstein
1922 - Niels Bohr
1925 - James Franck
1925 - Gustav Hertz
1943 - Gustav Stern
1943 - George Charles de Hevesy
1944 - Isidor Issac Rabi
1952 - Felix Bloch
1954 - Max Born
1958 - Igor Tamm
1959 - Emilio Segre
1960 - Donald A. Glaser
1961 - Robert Hofstadter
1961 - Melvin Calvin
1962 - Lev Davidovich Landau
1962 - Max Ferdinand Perutz
1965 - Richard Phillips Feynman
1965 - Julian Schwinger
1969 - Murray Gell-Mann
1971 - Dennis Gabor
1972 - William Howard Stein
1973 - Brian David Josephson
1975 - Benjamin Mottleson
1976 - Burton Richter
1977 - Ilya Prigogine
1978 - Arno Allan Penzias
1978 - Peter L Kapitza
1979 - Stephen Weinberg
1979 - Sheldon Glashow
1979 - Herbert Charles Brown
1980 - Paul Berg
1980 - Walter Gilbert
1981 - Roald Hoffmann
1982 - Aaron Klug
1985 - Albert A. Hauptman
1985 - Jerome Karle
1986 - Dudley R. Herschbach
1988 - Robert Huber
1988 - Leon Lederman
1988 - Melvin Schwartz
1988 - Jack Steinberger
1989 - Sidney Altman
1990 - Jerome Friedman
1992 - Rudolph Marcus
1995 - Martin Perl
2000 - Alan J.. Heeger

Economia
1970 - Paul Anthony Samuelson
1971 - Simon Kuznets
1972 - Kenneth Joseph Arrow
1975 - Leonid Kantorovich
1976 - Milton Friedman
1978 - Herbert A. Simon
1980 - Lawrence Robert Klein
1985 - Franco Modigliani
1987 - Robert M. Solow
1990 - Harry Markowitz
1990 - Merton Miller
1992 - Gary Becker
1993 - Robert Fogel

Medicina
1908 - Elie Metchnikoff
1908 - Paul Erlich
1914 - Robert Barany
1922 - Otto Meyerhof
1930 - Karl Landsteiner
1931 - Otto Warburg
1936 - Otto Loewi
1944 - Joseph Erlanger
1944 - Herbert Spencer Gasser
1945 - Ernst Boris Chain
1946 - Hermann Joseph Muller
1950 - Tadeus Reichstein
1952 - Selman Abraham Waksman
1953 - Hans Krebs
1953 - Fritz Albert Lipmann
1958 - Joshua Lederberg
1959 - Arthur Kornberg
1964 - Konrad Bloch
1965 - Francois Jacob
1965 - Andre Lwoff
1967 - George Wald
1968 - Marshall W. Nirenberg
1969 - Salvador Luria
1970 - Julius Axelrod
1970 - Sir Bernard Katz
1972 - Gerald Maurice Edelman
1975 - Howard Martin Temin
1976 - Baruch S. Blumberg
1977 - Roselyn Sussman Yalow
1978 - Daniel Nathans
1980 - Baruj Benacerraf
1984 - Cesar Milstein
1985 - Michael Stuart Brown
1985 - Joseph L. Goldstein
1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]
1988 - Gertrude Elion
1989 - Harold Varmus
1991 - Erwin Neher
1991 - Bert Sakmann
1993 - Richard J. Roberts
1993 - Phillip Sharp
1994 - Alfred Gilman
1995 - Edward B. Lewis
1996- Lu RoseIacovino

TOTAL: 128 (cento e vinte e oito)

Os judeus não estão a promover lavagens cerebrais a crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar um máximo de mortes a judeus e a outros não muçulmanos.
Os judeus não tomam aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, nem se fazem explodir em restaurantes alemães.
Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja. NÃO há um único judeu que proteste matando pessoas.
Os judeus não traficam escravos, não têm líderes a clamar pela Jihad Islâmica e morte a todos os infiéis. Talvez os muçulmanos do mundo devessem considerar investir mais numa educação modelo e menos em queixarem-se dos judeus por todos os seus problemas.
Os muçulmanos deviam perguntar o que poderiam fazer pela humanidade antes de pedir que a humanidade os respeite.
Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os seus vizinhos palestinianos e árabes, mesmo que creiamos que há mais culpas na parte de Israel, as duas frases que se seguem realmente dizem tudo:
"Se os árabes depusessem hoje as suas armas não haveria mais violência. Se os judeus depusessem hoje as suas armas não haveria mais Israel." (Benjamin Netanyahu)
Por uma questão histórica, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou todas as vítimas mortas nos campos de concentração nazista, mandou que as pessoas ao visitarem esses campos de morte, tirassem todas as fotografias possíveis, e para os alemães das aldeias próximas serem levados através dos campos e que enterrassem os mortos. Ele fez isto porque disse de viva voz o seguinte:
"Gravem isto tudo hoje. Obtenham os filmes, arranjem as testemunhas, porque poderá haver algum malandro lá em baixo, na estrada da história, que se levante e diga que isto nunca aconteceu."
Recentemente, no Reino Unido, debateu-se a intenção de remover o holocausto do curriculum das suas escolas, porque era uma ofensa para a população muçulmana, a qual diz que isto nunca aconteceu. Até agora ainda não foi retirado do curriculum. Contudo é uma demonstração do
grande receio que está a preocupar o mundo e a facilidade com que as nações o estão a aceitar.
Já passaram mais de sessenta anos depois da Segunda Guerra Mundial na Europa ter terminado.
O conteúdo deste mail está a ser enviado como uma cadeia em memória dos 6 milhões de judeus, dos 20 milhões de russos, dos 10 milhões de cristãos e dos 1 900 padres Católicos que foram assassinados, violados, queimados, que morreram de fome, foram espancados, e humilhados enquanto o povo alemão olhava para o outro lado.

Agora, mais do que nunca, com o Iran entre outros, reclamando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar-se de que o mundo nunca esquecerá isso.

É intento deste mail que chegue a 400 milhões de pessoas.
Que seja um elo na cadeia-memorial e ajude a distribui-lo pelo mundo.
Depois do ataque ao World Trade Center, quantos anos passarão antes que se diga . NUNCA ACONTECEU , porque isso pode ofender alguns muçulmanos nos Estados Unidos ???

terça-feira, 21 de junho de 2011

opções de compra coberto

Venda Coberta de Opções de Compra: vale a pena???
Vou discutir rapidamente sobre um assunto que muitos falam, criticam as vezes e poucos fazem de forma correta: Venda Coberta de Opções de Compra ("covered-call" ou "financiamento", como é também chamada esta operação com as opções de compra ou "Calls"). Não tenho a intenção de ensinar ou mudar a opinião de ninguém, apenas vou citar minha experiência pessoal sobre o tema.

No começo da minha jornada como investidor eu tinha algumas ações em carteira, mas muito concentrado em VALE5 e PETR4. Foi então que descobri o assunto OPÇÕES, li muito a respeito do tema (talvez uns 6 livros), fiz um curso e pratiquei das maneiras mais diversas possíveis: venda coberta de opções de compra, venda descoberta e muito alavancada (a famosa corda para enforcar a si próprio...), compra a seco de opções de compra, compra de opções de venda (ou "Puts"), travas de baixa, travas de alta, collares, algumas borboletas... Enfim, uma loucura de tempo desperdiçado e saindo com enorme desgaste emocional e pouco retorno financeiro. Foi quando aprendi uma regra básica e simples: venda coberta é para remunerar sua carteira, te pagar uma taxa de juros extra visto não haver garantias de alta de suas ações (ou queda). Mas o dinheiro recebido pelas opções vendidas entra no seu bolso de verdade...

Podemos perder uma alta do ativo, mas nunca perder dinheiro na operação. Existe um artigo intitulado "Better than Buy and Hold" do Site "The Motley Fool" que mostra claramente que nos últimos 20 anos do S&P 500 a venda coberta de opções de compra (de empresas sólidas) teve um retorno de aproximadamente duas vezes o índice!!! Isso é ruim? Arriscado? Não acho. Leiam parte do texto do citado artigo:

"Because of the income they bring and the defensive power they can add to a portfolio, covered calls have approximately doubled the return on the S&P 500 over the past 20 years. Combining covered-call writing with solid stock selection and a buy-and-hold mentality is a Foolish recipe for even better performance -- making you extra money on quality companies while letting you sleep well at night."

Cito agora minha experiência com a VCOC nos últimos 12 meses: fiquei meio de saco cheio de vender opções no início de 2010 e dei uns meses de folga na operação. PETR4 estava subindo e eu deixei a ação "andar" sem estar travado com as opções. Erro Crasso: PETROSSAURO de 39,xx veio aos 23,85. Voltei então a fazer VCOC há aproximadamente 5 meses e recebi mais de 56.000,00 reais limpinhos nas últimas vendas somadas. Continuo com a mesma quantidade de PETR4 em carteira e todo o lucro virou novas ações ou Fundos Imobiliários - menos novas PETR4, pois minha posição ainda é muito grande na mesma. Hoje, ela patina entre os 26 e os 29 reais (está "de lado") e não tenho tanta fé me alta sustentável no curto prazo. Baixei meu preço médio em mais de 3,50 reais até a presente data e sei que vou mais longe, pois no meu atual patamar de preço eu estou seguro se for exercido ou mesmo precisar rolar a operação para o mês seguinte. O segredo da venda coberta é se deixar exercer se a taxa de lucro for boa, recomprar a mercado e vender novamente ATM ou 1 Strike acima (OTM). Sugiro a leitura do artigo que citei, tirem suas próprias conclusões.

Link: Better Than Buy and Hold

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A reforma política-João Ubaldo Globo de 5-6-11

A reforma política já chegou
JOÃO UBALDO RIBEIRO
Suspeita-se na ilha que a propalada operação de safena a que se submeteu recentemente Zecamunista foi na verdade um implante criado pela diabólica medicina da União Soviética, que, quando não mata, como foi o caso de Zeca, injeta tamanha dose de energia no indivíduo que ele sozinho vale por todo um Politburo, coisa braba mesmo, do tempo do camarada Stalin Marvadeza e da NKVD. Não sei se os rumores procedem, mas de fato Zeca, exibindo a cicatriz do peito por trás de uma correntinha com uma foice e um martelo e umas contas de Xangô (quando uma vez eu perguntei a ele que mistura era essa, ele me deu um sorriso de desdém e respondeu apenas que não era materialista vulgar), está mais elétrico do que nunca. Na hora em que o peguei, ele ainda recebia abraços e apertos de mão pela palestra que acabara de fazer no bar de Espanha, esclarecendo a todos sobre o sistema político brasileiro. Infelizmente, perdi a palestra, mas ele, muito modestamente, me disse que não tinha sido nada de mais. — Foi o beabá — disse ele. — Comecei pela questão da soberania. — Ah, sim, a soberania popular. Todo poder emana do povo etc., isso é muito bonito. — Bonito pode até ser, mas não é verdade. Foi isso que eu disse a eles. Expliquei que soberania é o direito de fazer qualquer coisa sem dar satisfação a ninguém. E quem é que aqui tem o direito de fazer o que quiser, sem dar satisfação a ninguém, é o povo? Claro que não. É, por exemplo, o deputado, que se cobre de todos os tipos de privilégios e mordomias, se trata melhor do que o coronel Lindauro tratava as mucamas e, quando alguém reclama, ele manda esse alguém se catar, isso quando dá ousadia de responder, porque geralmente não dá. Todos eles fazem o que querem e não têm que prestar contas, a não ser lá entre eles mesmos, para ver se algum não está levando mais do que outro, nisso eles são muito conscienciosos. Fiz que nem Marx, botei a história de cabeça para baixo. Não foi o rei Luís XIV que disse que o Estado era ele? Pois aqui não, aqui o Estado é o governo, é grana demais para um rei só, tem que dar para todos os governantes, cada um com seu quinhão. O Estado são eles e é deles, tem que meter isso na cabeça e parar de pensar besteira. Antes de qualquer postura abestalhada, vamos encarar a realidade objetivamente, não tem nada de povo, povo não é nada, tem mais é que botar o povo pra comprar bagulho sem entrada e sem juros e cuidar do que interessa ao país. — E o que é que interessa ao país? — Ô inteligência rara, o que interessa ao país é o que interessa a eles. Que todos eles continuem se locupletando numa boa, não tem nada que mexer em time que está ganhando. Você viu isso muito claramente no caso do Palocci, não viu? Não se mexe em time que está ganhando. — Que caso do Palocci, o caso do caseiro? — Que caso do caseiro, cara, deixe de ser leso, o caso do caseiro já entrou para as piadas de salão do PT. Estou falando no caso do dinheiro que dizem que ele ganhou por cultivar bons contatos. Você viu, pegou mal, ficou aquele mal-estar e aí o que é que aconteceu? Exatamente isso que você vai dizer, mas deixe que eu digo. Aconteceu que era mais um trabalho para o Super-Lula! Eu vou ter que dar a mão à palmatória, o bicho não é inteligente, não, ele é um gênio, gênio. Você viu como, com dois beliscões aqui e três cascudos ali, ele enquadrou todo mundo e tudo entrou nos eixos? Mas, ainda mais que isso, muito mais que isso, ele fez a reforma política! Ele fez a reforma política e, como se diz nas operações policiais, sem disparar um único tiro! — Pode me chamar de leso outra vez, porque não entendi que reforma. — O bipresidencialismo! Dois presidentes, em lugar de um só! E isso sem precisar mudar nada na Constituição, já está aí, já está em operação, não é preciso alterar lei nenhuma, esse cara é um gênio mesmo. É por isso que ela faz tanta questão de ser chamada de presidenta, eles já deviam ter combinado isso desde o comecinho da campanha eleitoral. Presidente é ele, presidenta é ela. Governante é ele, governanta é ela. O entrosamento é perfeito. Ele não suporta trabalhar e aí o trabalho todo de despachar, ler, discutir, assinar etc. ela faz. Das jogadas políticas, dos discursos, das viagens e das mensagens na TV ele cuida. E de mandar sancionar ou vetar o que for necessário, claro. Fica perfeito, como com o casal que não briga pelo pão porque um só gosta do miolo e o outro da casca. Ele criou — e ainda por cima com os votos do otariado todo — o bipresidencialismo, que já veio com ele de fábrica, ele é um gênio! — E você acha que isso vai funcionar mesmo? — Já está funcionando. Trouxa será aquele que, querendo coisa graúda do governo, não vá falar com ele primeiro. E mais trouxa será quem o contrariar. Caso perfeito para quem acha que não se mexe em time que está ganhando. Não mudou nada, tudo continua na mesma, só que agora o presidente não apenas conta com uma supergovernanta para cuidar do trabalho chato, como continua mandando, e ainda com a vantagem de ter alguém para levar a culpa, se alguma coisa der errado, pois, como diziam os antigos, a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã, quem mais sabe disso é ele. — Zeca, você realmente está muito inspirado hoje. Esse bipresidencialismo que você sacou está muito bem pensado, ele continua mandando mesmo e deixando isso bem claro. Mas eu me lembro de você dizendo, antes da eleição, que, se ela ganhasse, em pouco tempo nem mais o cumprimentaria. — Bem, eu subestimei a governantabilidade dela. E, além disso, beija-mão não é bem um cumprimento.
JOÃO UBALDO RIBEIRO é escritor.

Liberação das drogas-do Globo de 6-6-11

Posição equivocada
CARLOS VEREZA
Oex-presidente Fernando Henrique Cardoso está equivocado quando defende a liberação da maconha. Não temos sequer uma rede hospitalar para atender os inúmeros casos de acidentes e de doenças que necessitam de um tratamento de emergência. Como os dependentes sem recursos econômicos teriam atendimento para um tratamento dispendioso, que inclui internação, desintoxicação e terapia, entre outros procedimentos? Maconha não é uma droga “leve”. Ela contém, entre outros tóxicos, o benzopireno, que é altamente cancerígeno. Seu princípio ativo, o tetrahidrocanabinol, o THC, aumentou em mais de 70% seu percentual de toxidade desde a década de 70. A maconha pode desenvolver surtos psicóticos em pessoas com síndromes fronteiriças, e abre, sim, a possibilidade de acesso a drogas mais pesadas quando seus efeitos passam por uma diminuição de seu potencial. Na Holanda, onde a droga é liberada, seus usuários, esgotadas as cotas, abordam de maneira inconveniente os turistas, para que comprem e dividam com eles novas doses — isso sem citar a praça dos drogados, a Leidsplein, com pobres dependentes caídos no chão, com seringas ainda espetadas em sua veias. Todos, quase sem exceção, iniciaram a lamentável escalada pela “inofensiva” marijuana. Por que levantar esse tema em um país com sérios problemas de desigualdades sociais, mal disfarçados em bolsas, cotas e absurdos kits gerados por um maquiavélico MEC — que divide o país entre negros e brancos, ricos e pobres. Além de uma cartilha que incentiva o cidadão a falar errado, numa arbitrária e artificial luta de classes. A liberação da maconha iria empobrecer e abastardar ainda mais um Brasil que perdeu o rumo de uma história moderna. Segundo Gilberto Freyre, os senhores das senzalas brasileiras eram coniventes com o consumo da maconha pelos escravos porque assim ficavam mais tranquilos e inaptos para a rebelião! A liberação aumentará em muito o consumo, sendo mais que evidente a ação dos traficantes, que continuariam na clandestinidade, oferecendo a maconha de estufa, de efeito mais avassalador, concorrendo com a “oficial”, que teria que se adaptar a uma dosagem única. Como fariam as autoridades para aferir a quantidade da erva de posse do usuário? Andariam com uma balança para diferenciar o que seria para uso e o que determinaria a prática de tráfico? E as nossas fronteiras, já tão violadas, seriam um terreno fértil para os narcotraficantes, que viriam “oferecer” em nosso país não só a maconha, mas drogas como cocaína, crack, óxi e outras “amenidades”. Quando países antes comunistas apelam para uma economia de mercado, buscando a privatização, em Pindorama assistimos a um regime híbrido que se pretende “socialista”, mas que em verdade é uma babel de corrupção, distribuição de cargos para “companheiros”, informações privilegiadas, tráfico de influência, um país à deriva, sem um projeto de governo e sim de perpetuação no poder. Acredito que Fernando Henrique tenha muito mais a contribuir num amplo debate sobre a construção de um sistema social democrático no país.
CARLOS VEREZA é ator.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Roberto da Matta

Somo tudo palaciano’
ROBERTO DaMATTA
Com o devido respeito, mas nessa era petista, quando misturamos o pior do mercado com o mais desonesto estatismo, o caso Palocci ultrapassa a trivial suspeita de enriquecimento indébito. Ele contempla aspectos típicos do lulopetismo, bem como o passado do suspeito, mas vai adiante. Mais uma vez ele nos põe diante de nós mesmos, já que todos somos palocianos ou palacianos e temos a certeza de que, uma vez na panelinha, a “ética da condescendência” que sustenta o nosso espírito ainda patronal-escravocrata salva qualquer um do inferno. Mesmo quando se fala errado e relativiza-se o moralismo da língua culta, vendendo (eis o que conta) milhares de livros ao Ministério da Educação. A questão, entretanto, é que esse aumento patrimonial comicamente extraordinário abre uma porta sequer ventilada pela teoria política nacional. Refiro-me ao fato de que, no Brasil, o Estado não é um instrumento da burguesia, como manda o velho Marx. É, isso sim, um veículo de enriquecimento e de aristocratização de seus funcionários, na razão direta de sua importância dentro das suas burocracias. Basta tabular o aumento patrimonial dos seus membros situando o quanto possuíam e quanto eles amealharam depois que cumpriram os tremendos sacrifícios de fazer parte do poder para verificar o triunfo da mendacidade com o povo, pelo povo, e para cada um de deles! Na relação até hoje mal estudada entre o Estado (com suas leis) e a sociedade (com seus costumes e tradições), esses casos revelam algo típico da tal América-Latina: o fato de que o Estado é hierarquicamente superior à sociedade. Ele traz à tona o mito segundo o qual, quando Deus nos inventou, Ele primeiro fez o Estado (com seus caudilhos, ministros, secretários, puxa-sacos e toda a malta que estamos fartos de conhecer), e depois fez uma desprezível sociedade com a sua miscigenação, os seus burgueses, sua abjeta classe média e a massa de miseráveis com escolas (mas sem professores respeitados e bem pagos); com hospitais (mas sem médicos); com delegacias (mas com policiais bandidos) e com essa esquerda autocomplacente que inventou a bolsa-ditadura, que anistia destruidores da floresta e que ama o atraso. Quando surge a suspeita de um enriquecimento ridiculamente excepcional, como esse de Antonio Palocci — imagine, leitor, você em quatro anos ter mais 19 apartamentos, mesmo pequenos como o seu! —, batemos de frente com um aspecto pouco visto. Refiro-me ao fato de tanto a direita quanto o centro e a esquerda serem todos viciados em Estado! A estadofilia, estadomania e estadolatria é o cerne do nosso republicanismo, é ele — supomos! — que vai corrigir a sociedade. Por isso é centralizador, autoritário e perdulário. Ele usa leis para não mudar costumes. Num país do tamanho do Brasil é impossível não desperdiçar recursos com a centralização. É impossível controlar de Brasília o que se passa no cu de judas! Mais: nada melhor para a ladroagem, para o tráfico de influência e para o furto cínico dos dinheiros do povo do que essa concepção de um Estado autista, com razões que só ele conhece. Um órgão engessado em si mesmo e avesso ao mercado e a qualquer tipo de controle, competição ou competência. Tudo isso que o lulopetismo endossou por ignorância e/ou malandragem, mas que ainda goza de um inigualável prestígio junto da nossa opinião pública dita mais esclarecida que tem horror ao mercado. Por quê? Porque esse é o resultado da operação de um Estado feito de parentes e amigos que eram de sangue e hoje — eis a contribuição petista — são ideológicos. Um Estado autocomplacente e referido, como mostra esse vergonhoso governo de coalizão que serve primeiro e si próprio, depois a si mesmo e, em terceiro e último lugar, aos seus adoradores. Jamais lhe passa pela sua cachola, cheia de prêmios a serem distribuídos aos seus compadres, servir à sociedade que o sustenta. Numa estadolatria, há alergia a competição e a seguir o básico das repúblicas: atribuir responsabilidade. Daí o “eu não sabia”, pois todos concordam com o descalabro, mas nada acontece. Como punir o ministro? Como sair de um viés aristocrático que foi justamente a matriz social dos republicanos que queriam ser presidentes, fiscais do consumo, embaixadores, ministros do Supremo e senadores? As mensagens não passam nessas redes administrativas em contradição cujos agentes sabem que enriquecer fácil significa criar dificuldade para vender facilidade. Algo simples de fazer nas sucessivas aristocracias que têm usado o liberalismo político como um disfarce para assaltar o Brasil. Em outras palavras: o governo dá para seus filhos; nós, os trabalhadores assalariados que não temos cláusulas secretas com quem nos paga, como é o caso do Palocci, pagamos a conta! Será que ninguém sacou a burrice de aplicar marxismo burguês a um Brasil tocado a escravidão? Um país com uma burguesia contra máquinas e toda ela apadrinhada por si mesma? Eu fico com vergonha ao ler como a nossa burguesia é reacionária quando sei que a modernização política do Brasil foi feita por um avô fujão, por um filho mau-caráter e por um neto que não sabia o que acontecia em sua volta. A partir das repúblicas de 89, contam-se nos dedos os administradores e políticos que não multiplicaram por 20, 200 ou 2.000 seus patrimônios graças ao controle de um pedaço do Estado! Palocci é juvenil perto dos outros que, se citados, tomariam todo o espaço de um jornal. Aguardo suas explicações que serão normas de ouro para o enriquecimento blitzkrieg.
ROBERTO DaMATTA é antropólogo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Respostas Inteligentes

É PERIGOSO PROVOCAR PESSOAS INTELIGENTES!

Na Câmara, ainda no Rio, quando seu presidente Ranieri Mazzili deu a alavra a Carlos Lacerda, representante do Distrito Federal, o eputado Bocaiuva Cunha foi rápido e gritou ao microfone, sob os risos do plenário: - Lá vem o purgante !
Lacerda, num piscar de olhos, respondeu: - Os senhores acabaram de ouvir o efeito !
(Muito mais risos, até dos adversários...)

******************************

Certa vez, Einstein recebeu uma carta da miss New Orleans onde dizia a ele:
" Prof. Einstein, gostaria de ter um filho com o senhor...
A minha justificativa se baseia no fato de que eu, como modelo de beleza, teria um filho com o senhor e, certamente, o garoto teria a minha beleza e a sua inteligência".

Einstein respondeu:
" Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza".

******************************

Quando Churchill fez 80 anos um repórter de menos de 30 foi
fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos...

Resposta de Churchill:
- Por que não? Você me parece bastante saudável...

******************************
Telegramas trocados entre o dramaturgo Bernard Shaw e Churchill, seu desafeto.

Convite de Bernard Shaw para Churchill:
"Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação de minha peça Pigmaleão.

Venha e traga um amigo, se tiver."
Bernard Shaw.

Resposta de Churchill:
"Agradeço ilustre escritor honroso convite...

Infelizmente não poderei comparecer primeira apresentação.

Irei à segunda, se houver."
Winston Churchill.

******************************

O General Montgomery estava sendo homenageado, pois venceu Rommel na batalha da África, na 2ª Guerra Mundial.
Discurso do General Montgomery:
' Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói '.
Churchill ouviu o discurso e com ciúme, retrucou:
' Eu fumo, bebo, prevarico e sou chefe dele.'

******************************

Bate-boca no Parlamento inglês .

Aconteceu num dos discursos de Churchill em que estava uma deputada oposicionista, Lady Astor, do tipo Heloisa Helena do PSOL, que pediu um aparte .
Todos sabiam que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos.
Mas, concedeu a palavra à deputada.

E ela disse em alto e bom tom:
- Sr. Ministro , se Vossa Excelência fosse o meu marido, eu colocava veneno em seu chá!

Churchill, lentamente, tirou os óculos, seu olhar astuto percorreu
toda a platéia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, lascou:
- Nancy, se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse chá com prazer!

domingo, 29 de maio de 2011

Estados Unidos

Vale a pena meditar sobre isto!

Às vezes torna-se chato que o hobby de toda a humanidade seja falar mal dos Estados Unidos. Não somente os sandinistas, chavistas e “comunistóides” da América Latina, mas o mundo todo em geral.

Nos últimos anos na Venezuela se considera socialmente negativo falar algo de bom dos Estados Unidos. Até os hispânicos que vivem nos Estados Unidos há mais de meia vida, não encontram nada de bom para dizer do país, mas ainda assim não regressam a seus países de origem.


Aqui há três exemplos de respostas exemplares a comentários.


Primeiro:

Quando na Inglaterra, durante uma grande conferência, o Arcebispo de Canterbury perguntou a Colin Powell se os planos dos USA para o Iraque não eram outra coisa que a ampliação do império por parte de George Bush, este lhe respondeu o seguinte:

“Com o transcorrer dos anos, os Estados Unidos tem enviado muitos de seus melhores jovens, homens e mulheres, apesar do perigo, para lutar pela causa da liberdade além de nossas fronteiras. As únicas terras que temos pedido em troca têm sido apenas as necessárias para sepultar aqueles que não regressaram.”

Se fez um grande silêncio no recinto...

Segundo:

Durante uma conferência na França, da qual participavam um grande número de engenheiros de diversas nacionalidades, incluindo franceses e americanos, durante o recesso, um dos engenheiros franceses disse: “Vocês escutaram a última estupidez do George Bush? Enviou um porta-aviões à Indonésia para ajudar as vítimas do tsunami. O que ele pretende fazer, bombardeá-los?“


Um engenheiro da Boeing se levantou e respondeu “serenamente”:


“Nossos porta-aviões têm três hospitais à bordo, que podem tratar várias centenas de pessoas. São nucleares, por isto podem fornecer eletricidade de emergência à terra. Têm três cozinhas com capacidade para preparar comidas para 3.000 pessoas, três vezes ao dia, podem produzir vários milhares de galões de água potável a partir da água do mar, e têm meia dezena de helicópteros para transportar vítimas para o navio. Nós temos onze barcos iguais. Quantos barcos assim mandou a França?

De novo, silêncio sepulcral!







Terceiro:

Um almirante da Armada dos Estados Unidos estava em uma conferência naval que incluía almirantes das armadas americana, canadense, inglesa, australiana, e francesa. Durante um cocktail se encontrou com um grupo de oficiais que incluía representantes de todos esses países. Todo mundo conversava em inglês enquanto tomavam seus tragos, porém de repente um almirante francês comentou que, se bem que os europeus aprendem muitos idiomas, os americanos se bastam tão somente com o inglês. Então, perguntou: “Por que temos que falar inglês nestas conferências? Por que não se fala francês?“




O almirante americano, sem hesitação, respondeu: “Talvez seja porque os britânicos, os canadenses, os australianos e os americanos intervimos duas vezes em meio século para que vocês não tivessem que falar alemão pelo resto de suas vidas”.

Se podia escutar a queda de um alfinete!




Sabem onde está o segredo dos americanos? Simplesmente aprenderam, há mais de 150 anos, algo que parecia que nós não quisemos aprender.




São somente dez premissas muito simples:




• Você não pode criar prosperidade desalentando a iniciativa individual;




• Você não pode fortalecer o fraco, debilitando o forte;




• Você não pode ajudar aos pequenos, esmagando os grandes;




• Você não pode ajudar o pobre, destruindo o rico;




• Você não pode elevar o assalariado, pressionando a quem paga o salário.




• Você não pode resolver seus problemas enquanto gaste mais do que ganha;




• Você não pode promover a fraternidade da humanidade, admitindo e incitando o ódio de classes;




• Você não pode garantir uma adequada segurança com dinheiro emprestado;




• Você não pode formar o caráter e o valor de um homem cortando-lhe sua independência (liberdade) e iniciativa;




• Você não pode ajudar aos homens realizando por eles permanentemente o que eles podem e devem fazer por si mesmos.



Decálogo de Abraham Lincoln

quarta-feira, 4 de maio de 2011

João Ubaldo

Somos todos comida
JOÃO UBALDO RIBEIRO

O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/05/11

Depois da notícia de que, ao fim de prolongado debate jurídico, foi negado por um tribunal o habeas-corpus impetrado em favor de um chimpanzé enjaulado em solidão no Zoológico de Niterói, vieram ao conhecimento público outras providências judiciais em nome de animais, pelo Brasil afora.

Isso está ficando interessante. Antigamente, era fácil dizer que os animais não tinham direito nenhum, pois não são sujeitos de direito, não são pessoas, não podem acionar o poder judiciário, da mesma forma que não têm deveres, nem podem ser interpelados pela justiça. Direitos e deveres são província exclusiva do ser humano e, embora isso não soe bem, um cachorro, por exemplo, não tem o direito de não ser maltratado. O homem é que tem o direito de estabelecer em lei que maltratar um animal é criminoso e de protestar e intervir, quando a lei for descumprida.

Mas vivemos tempos mais complexos e em transformação quase frenética. As crenças antes estabelecidas e praticamente unânimes hoje mudam o tempo todo, somos intimidados pelas descobertas da física quântica, as certezas se tornam indagações e a eventual sensação de que ninguém sabe nada é inevitável. Já há quem sustente que pelo menos os chamados animais superiores, como o mencionado cachorro, têm consciência e emoções. Os donos de cachorros frequentemente acham que estes pensam, raciocinam e comunicam seus pensamentos, só faltando mesmo falar. Logo, têm direitos e talvez a única coisa que lhes negue a condição de sujeito de direito seja a circunstância de que a linguagem do cachorro ainda não tem tradutores oficializados. Mas talvez passe a ter no futuro e alguém venha a dizer que o Rex está se sentindo prejudicado pelo seu dono e quer constituir advogado, para o que aplicará a impressão de sua pata em uma procuração.

De certa forma, isso já começa a acontecer, como demonstra o caso do habeas-corpus do chimpanzé. Seus advogados inferiram que, sem companhia e encarcerado, o chimpanzé é infeliz e consegue comunicar que, sim, gostaria de ser transferido para uma moradia condigna. Considerando a maravilhosa diversidade do ser humano, acho que, a partir desse precedente, viremos a testemunhar ações movidas não somente por cachorros, gatos, peixes de aquário e outros animais domésticos, mas também, antecipo eu, por bois de corte ou por frangos para abate. Não descarto até mesmo a possibilidade de medidas contra o que certamente se chamará "zoofobia", em cuja ilícita prática serão enquadrados, por exemplo, os que usarem as palavras "galinha", "vaca" ou "cadela" com intenção pejorativa.

A situação deverá evoluir, em futuro talvez não muito distante, para o estabelecimento dos níveis de consciência das espécies e a consequente maior ou menor abrangência de seus direitos. Não é descabido imaginar a promulgação de uma Declaração Universal dos Direitos dos Cães, ou do Estatuto do Gato e assim por diante, cada um deles definindo os critérios aplicáveis a cada espécie. É complicado, porque, por exemplo, o direito de latir, certamente parte indissolúvel da liberdade de expressão canina, pode conflitar com o direito ao silêncio de um vizinho humano, o que requererá imaginação e engenho da parte de legisladores e magistrados.

Questões éticas e morais, filosóficas mesmo, terão que ser encaradas, por mais incômodas que sejam. O morcego, em muitos casos inofensivo, amante das frutas e polinizador de pomares, pode ser discriminado apenas por ter, na opinião da maior parte das pessoas, uma aparência assustadora ou repulsiva? Nos desenhos animados e historietas infantis, serão adotadas quotas para a inclusão de animais normalmente marginalizados, a exemplo de lacraias, lesmas e piolhos? Aliás, é um direito do piolho infestar cabeleiras improdutivas e sugar uma cesta básica de sangue? Estará sujeito à acusação de omissão de socorro aquele que negar a uma futura mamãe mosquito da dengue o direito a uma picadinha que a ajudará a perpetuar sua espécie?

De propósito, deixei para o fim o direito mais básico, o direito à vida. Sem ele, evidentemente, os outros perdem o sentido. Pensando nele, argumentam os que se negam a consumir qualquer produto de origem animal.

Nossa comida deveria ser apenas a que se consegue obter sem destruir nenhuma vida, nem mesmo, talvez, a das plantas. Nós somos os reis da Criação e não podemos agir como predadores.

Nós somos, isso sim, os reis da presunção. Imaginamos que a nossa moral é a moral da natureza, como se a natureza tivesse moral. Na natureza, continua um alegre come-come por tudo quanto é canto, um comendo o outro afanadamente, às vezes até de forma surpreendente, como no caso de um pelicano londrino que vi na Internet. Esse pelicano, em seu andar balançado na grama de um parque, viu e fingiu nem notar um pombo a seu lado. Mas, num movimento rapidíssimo, engoliu o pombo, que ficou se agitando dentro daquele papo enorme, sem chance de escapar. Se as pessoas presentes à cena fossem do tamanho de pombos, o pelicano sem dúvida as comeria também, porque é assim a natureza. Nós achamos que somos os grandes comedores, só porque, do nosso ponto de vista, ocupamos o topo da cadeia alimentar.

Ocupamos nada. Cada um de nós, mesmo os que não portam parasitas, é hospedeiro de uma infinidade de "ecossistemas", para não falar nos muitos animais que, por exemplo, vivem do sangue de mamíferos, inclusive nosso.

Nós somos os favoritos de nós mesmos, não da natureza. Nossos corpos, biodegradáveis como são, para outras espécies não passam de simples comida e, homens, bichos ou plantas, a Terra acabará digerindo todos nós.

Memorando a Deus

DE: os Judeus, também conhecidos como o Povo Escolhido
PARA: Deus
ASSUNTO: Rescisão de contrato de status especial (Povo Escolhido)
Como sabeis, o contrato que fizestes com Abraão deve ser renovado periodicamente. Este memorando é para informá-Lo que, após milênios de reflexão, nós, os judeus (o Povo Escolhido), decidimos, respeitosamente, que já não desejamos dita renovação.
O presente contrato foi verbal e, apesar da crença popular, nós (os judeus) não nos beneficiamos muito com ele. Se voltares à longínqua época em que nosso acordo foi celebrado, perceberás como, já desde o princípio, tudo começou com o pé esquerdo.
Não somente Israel e a Judéia foram invadidas quase todos os anos, como também nós (o Povo Escolhido) tivemos que construir não um, mas dois templos sagrados. E ambos foram destruídos. Tudo o que restou foi uma pilha de pedras velhas hoje apropriadamente chamada de "Muro das Lamentações" (é claro que já sabes tudo isto, mas é bom refrescar a memória para que entendas as razões pelas quais queremos declinar da honra que nos conferistes e encerrar nosso contrato).
Depois vieram os Hititas, os Assírios, os Goliats, etc, que, não só nos castigavam diariamente como nos venderam ao Egito com escravos, o que os fez perder cem anos de desenvolvimento.
Reconhecemos que trabalhaste bem ao mandar-nos Moisés para que nos libertasse do Egito, castigando os egípcios com aquelas pragas. O que não conseguimos entender é porque tivemos que levar quarenta anos para cobrir um trajeto que a EL AL, a companhia aérea israelense, agora faz em setenta e cinco minutos. Além disso – e não queremos parecer mal agradecidos – durante anos nos temos perguntado porque Moisés nos levou para a esquerda ao invés de para a direita.. Se nos levasse para a outra direção, estaríamos hoje possuíndo muito petróleo e não um pedaço de deserto cercado de inimigos por todos os lados.
Compreendemos, claro, que o petróleo não fazia parte do acordo inicial, mas depois vieram os romanos, invadiram nossa terra prometida e nos barbarizaram. Claro que os romanos nos proporcionaram água potável, aquedutos e banhos públicos, mas era bem estranho caminhar ao lado de tais construções e ao levantar os olhos ver alguns de nossos familiares e amigos cravados em postes em três partes como se fossem selos ou placas de trânsito.
Acresce que um de nossos príncipes, Judah Ben Hur, foi capturado vestido de romano e andou dando voltas como um louco pelas arenas do Coliseu.
E isto não é nada: ainda por cima um dos nossos rabinos se declarou "filho Teu" (sem sequer lembrar do Abraãozinho...) e antes que nos déssemos conta, essa dissidência gerou toda uma nova religião.
Desgraça pouca é bobagem! Logo fomos expulsos de nossas terras e dispersados pelo mundo, enquanto a nova religião conquistava corações e mentes em todo o ocidente. Lamentamos muito que os romanos tenham executado Jesus, tal como a tantos outros irmãos mas . adivinhes a quem culparam ? Sim, A NÓS !
Neste preciso episódio, há algo que não compreendemos até hoje: o projeto daquele Rabi, nosso irmão e Teu próprio filho seguiram um caminho curioso. Milhões de pessoas o reverenciaram e adoraram seu nome e seus ensinamentos que pregavam a fraternidade e o amor ao próximo...mas .... eis que alguns dos seguidores dele começaram a nos matar aos milhões. Diziam que bebíamos os sangue dos recém-nascidos e que controlávamos os bancos mundiais (ai, ai, se pelo menos esta última acusação fosse verdade...) Estás entendendo o que queremos Vos dizer?
E depois vieram as Cruzadas. Mamãe! Outra vez nos transformaram em presunto de sanduíche. Eles, os senhores cavaleiros da guerra, vinham de toda a Europa para expulsar os árabes mas antes que disséssemos "água vai", já nos estavam matando a torto e direito, juntamente com muitos outros povos. Toda vez que um Papa ou um Rei andava mal nas pesquisas convocava uma Cruzada ou uma guerra santa e caia uma nuvem de assassinatos sobre nós. Hoje isso se chama Jihad.
Claro, resistimos também a isso, e ficamos do Vosso lado, mas logo veio um brilhante clérigo espanhol e inventou a Inquisição. Pensamos que se tratasse de um show para entreter o povo, mas de novo nós – e também outros – fomos usados como lenha para as fogueiras que iluminariam a noite das maiores cidades da Espanha e de outros países.
Tá bom. Isso acabou há quinhentos anos ou algo assim. Mas visto da perspectiva histórica, cinco séculos não é muito tempo.
Durante este período, a cada vez que nos estabelecíamos em um país, nos chutavam e nos expulsavam. Vagamos alguns séculos assim, e a coisa não melhorava.
Afinal, fomos nos estabelecer em alguns países que decidiram que nós deveríamos morar em guetos. Aceitamos e fomos morar nos guetos mas então não imaginas o que aconteceu ! Os russos apareceram com seus progoms! Achamos que se tratava de um erro de ortografia, que na verdade eram programas, mas estávamos fatalmente equivocados (sem jogo de palavras). Aparentemente, quando não tinham nada que fazer, a diversão deles era matar judeus (aqueles conhecidos como o Povo Escolhido, entendes ?)
Agora vem uma parte bem pesada. Estávamos bem acomodados num pequeno país europeu chamado Alemanha, quando um estudante de pintura teve a idéia de escrever um livro com idéias que cativaram o povo local a tal ponto que eles o elegeram seu líder. Uau !!! Aquele foi um mau dia para nós, já sabes quem, teu Povo Escolhido. A verdade é que não imaginamos onde estavas quando aqui na terra transcorriam os anos de 1940 a 1945. Claro que todos necessitam de umas férias de vez em quando, e até mesmo o Senhor Todo Poderoso precisa dar um tempo, um relax. Mas, falando sério, quando mais te necessitávamos, tu não apareceste ! Claro que estás ciente disso mas, caso tenhas esquecido, é bom lembrar que uns seis milhões do teu Povo Escolhido, junto com alguns outros tantos não escolhidos, foram então brutalmente assassinados em toda a europa. Fizeram até telas e luminárias com a nossa pele.
Olha, não queremos ficar remoendo o passado, mas a coisa ia cada vez pior. Em 1948, quando milhões de nós outra vez vaga a esmo pelo mundo, finalmente nos mandaste uma boa. Recuperamos nossa terra !!!! Depois de todos esses anos, conseguimos voltar ao nosso lugar ! Mas, confessamos, que às vezes não entendemos o sentido de Teus atos: naquele mesmo instante todos os países árabes, nossos novos vizinhos, nos declaram guerra !
Ganhamos aquela guerra, e outras mais que se seguiram, mas já estamos em 2005 e nada mudou. Continuamos a ser golpeados com atentados terroristas que nos matam às centenas. Seguimos sem paz.
Nossa paciência se esgotou. Já basta. Esperamos que compreendas que nada é para sempre (com exceção de Vós, claro) e desejamos respeitosamente anular nosso acordo verbal de ser teu Povo Escolhido. Às vezes as coisas funcionam, outras não.
Porque não procuras por outro lado ? Lembras que Abraão tinha outra família da parte de Ismael (os mesmos que ficaram com o petróleo) ? Que tal se fizeres deles teu Povo Escolhido por uns milhares de anos ?
Nos despedimos com todo o respeito.
Atenciosamente,
Os judeus.