sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Próstata

Câncer de próstata: nem sempre temível? FERNANDO COTAIT MALUF A monitorização continuada é outra opção terapêutica que deve ser discutida com os pacientes com câncer de próstata pouco agressivo O CÂNCER de próstata é hoje o mais comum dos tumores que acometem o homem. No passado, seu diagnóstico era, com frequência, feito em fases mais avançadas, já que não havia ainda a cultura da prevenção e do diagnóstico precoce, baseada em exames de toque retal e PSA, um marcador tumoral bastante fidedigno, preconizados em caráter anual a partir dos 50 anos de idade. Como consequência, a mortalidade por câncer de próstata caiu em 31% nos últimos 13 anos. As duas formas de tratamento mais utilizadas com o objetivo de cura são a cirurgia (chamada de prostatectomia radical) e a radioterapia, que, apesar de eficazes, podem apresentar complicações indesejáveis. Assim, 25% a 70% dos pacientes operados evoluem com algum grau de perda involuntária da urina e diminuição da potência sexual, e a radioterapia causa em 4% dos pacientes a incontinência urinária, em 31%, a limitação da potência sexual, e em 15%, sintomas irritativos do reto e da bexiga. Existem controvérsias na literatura médica sobre qual a melhor opção terapêutica, que deve ser definida em função de uma série de parâmetros: características do tumor, idade do paciente, existência de doenças associadas, índices de cura e de complicações e, evidentemente, qualidade de vida após o tratamento. Afinal, não é incomum pacientes que, embora curados, vivem atormentados por impotência, incontinência urinária ou dano aos órgãos adjacentes à próstata. Nas últimas décadas, muito se tem pesquisado para identificar fatores prognósticos no câncer de próstata, valorizando-se no presente aspectos clínicos, níveis de PSA, tamanho e grau de diferenciação do tumor, bem como aspectos genéticos e moleculares, almejando o objetivo de não só definir a melhor forma de tratamento para cada caso mas também de responder a uma intrigante questão: todos os pacientes precisam realmente ser tratados quando de seu diagnóstico de câncer de próstata? Ou mesmo em algum momento da vida? Assim, cientistas buscam fatores clínicos e patológicos que possam auxiliar na identificação de pacientes com tumores de próstata menos agressivos, sem risco iminente à saúde e sem a real necessidade de tratamento imediato, denominados tumores indolentes. Aparentemente, encaixam-se nesse grupo as neoplasias bem diferenciadas, pequenas e confinadas à glândula e que geram níveis baixos de PSA. De acordo com alguns estudos, elas representam de 15% a 55% de todos os tumores de próstata. Para os pacientes que se enquadram nessa situação, fala-se hoje na estratégia conhecida mundialmente como "watchful and waiting", que é postergar ao máximo a indicação de tratamento ou mesmo evitá-lo. Nesse sentido, duas importantes publicações internacionais revelam que só dois de 620 pacientes de bom prognóstico, inicialmente observados dentro dessa estratégia, morreram em decorrência do câncer de próstata em um período de observação de 3,5 a oito anos. No intervalo avaliado, entre 60% e 76% dos pacientes não necessitaram de nenhuma forma de tratamento (e muitos deles talvez nunca venham a necessitar). Bastante relevante é o fato de que os pacientes tratados posteriormente, quando houve a indicação, não apresentaram aparente prejuízo em suas chances de cura, além de poderem aproveitar por anos, de modo amplo, os aspectos fisiológicos pertinentes à potência sexual, à continência urinária e à integridade de outros órgãos e aparelhos. Essa estratégia, quando bem indicada, pode, além de blindar os pacientes contra possíveis efeitos colaterais decorrentes dos tratamentos, evitar gastos enormes com terapêuticas de pequeno impacto positivo. Em suma, a monitorização continuada ("watchful and waiting") representa, numa época de grandes avanços tecnológicos, mais uma opção terapêutica que deve ser discutida com os pacientes com câncer de próstata pouco agressivo e que desejam preservar sua qualidade de vida, contrapondo-se ao tratamento imediato, preconizado para os pacientes cujos tumores apresentam características que podem colocar a vida em risco. Assim, para o futuro, torna-se imperativo distinguir com mais propriedade o grau de agressividade do câncer de próstata, a fim de propiciar a melhor forma de tratamento para cada paciente, evitando "supertratar" os pacientes e macular um dos aforismos mais tradicionais da medicina: "primum, non nocere" [antes de tudo, não causar dano]. FERNANDO COTAIT MALUF, doutor em urologia pela Faculdade de Medicina da USP, é coordenador do Programa de Residência de Oncologia Clínica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Questão Judaica

Assunto: Artigo Folha de São Paulo - A questão judaica - Luiz Felipe Pondé - segunda-feira, 24 de outubro de 2011 A QUESTÃO JUDAICA Estou em Jerusalém. Sou a favor do Estado palestino, mas acho que uma das coisas mais inúteis entre nós é discutir o problema israelo-palestino. Falta informação. Quando um ministro israelense disse que Lula deveria estudar a história do conflito antes de se meter, não era piada. A mídia tem claro viés contra Israel. Fotos de palestinos em sangue após ataques de Israel abundam, mas fotos de israelenses em pedaços nos inúmeros ataques ou mísseis lançados contra o Estado judeu nos últimos anos raramente são vistas. Muita gente nada sabe da história do conflito, mas tem uma certeza pétrea contra Israel. De onde vem essa fúria? Da velha “questão judaica” (o habito de ver os judeus como “causa” dos problemas)? Nada sabe sobre o fato de que as fronteiras de Israel não são minimamente seguras e que a paz armada que aqui existe é devido ao gigantesco poder militar superior de Israel sobre os países árabes e muçulmanos da região e à paranoia da segurança vigiada contínua. Separar a questão palestina da ameaça iraniana é coisa de quem não entende nada do assunto ou é ideológico. Se países e terroristas muçulmanos não destroem Israel é porque não podem, e não porque não querem. Poucos grupos palestinos estão dispostos a negociar reconhecendo a existência de Israel. Muitos continuam com a antiga política de “judeus ao mar”. O argumento da insegurança geopolítica de Israel é fato real, mesmo que muitos especialistas se recusem a levar em conta por razões ideológicas. Este argumento é usado por grupos israelenses radicais contra as negociações. E por isso esses radicais ganham força para criar colônias na Cisjordânia. Muitos israelenses são a favor da fundação do Estado palestino, mesmo sabendo que nem por isso os ganhos geopolíticos serão imediatos. O problema israelo-palestino é um problema israelo-árabe-mulçumano. A origem foi a recusa dos países árabes em aceitar a fundação do Estado de Israel em 1948 e a guerra a ele declarada em seguida. A manchete do “New York Times” de 15 de maio de 1948 falava da decisão egípcia de invadir Israel. Esses países nunca estiveram interessados num Estado dos árabes (hoje denominados “palestinos”), que viviam na parte designada para eles na “partilha da Palestina”, feita pelos ingleses que eram donos da terra. Mesmo o fato de que jamais existiu nos últimos 3.000 anos qualquer unidade política autônoma aqui, a não ser o reino judeu, é desconhecido por muita gente boa. A região era chamada de Judeia (como assim o foi por milênios) e apenas os romanos, no século 2 d.C., passaram a usar o nome “Palestina” como parte da dissolução do reino judeu. A vinda dos judeus europeus no século 20 para cá foi motivada (além do nazismo) justamente por esta continuidade histórica comprovada e interrompida desde a destruição pelos romanos do reino israelita no início da Era Cristã. Continuidade nunca perdida, como comprova a “oração” judaica: “Este ano aqui, ano que vem em Jerusalém”. Dizer que os palestinos seriam os filisteus é semelhante a dizer que os europeus são neandertais porque estes viviam lá 50 mil anos atrás. Não há nenhuma continuidade arqueológica ou cultural que comprove a relação filisteus-palestinos, ao contrário da continuidade israelita antiga e moderna, sobre a qual, aliás, se sustenta grande parte da cultura ocidental. A hipótese do historiador israelense “pós-sionista” Shlomo Sand, que nega a continuidade judaica, está longe de ser hegemônica, mas vale a pena ler “A Invenção do Povo Judeu”, ed. Benvirá, apesar do viés anti-Israel do autor. Será que em algum país árabe ou no Irã alguém poderia escrever um livro “contra si mesmo”? Quase sempre quem critica Israel são pessoas com motivações ideológicas que identificam na questão uma causa contra o imperialismo judaico ou americano. Ou “pior”: a convergência entre o atávico antissemitismo e o sentimento anti-Israel é óbvia e se comprova em falas ainda atuais como “Israel só existe por conta da grana dos judeus americanos que mandam nos EUA”. A velha “questão judaica” não acabou.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lula analisado-25-10-2011 O Globo

Lula para sempre MARCO ANTONIO VILLA Luiz Inácio Lula da Silva não é um homem de palavra. Proclamou diversas vezes que, ao terminar o seu mandato presidencial, iria se recolher à vida privada e se afastar da política. Mentiu. Foi mais uma manobra astuta, entre tantas que realizou, desde 1972, quando chegou à diretoria do sindicato de São Bernardo, indicado pelo irmão, para ser uma espécie de porta-voz do Partidão (depois de eleito, esqueceu do acordo). A permanente ação política do ex-presidente é um mau exemplo para o país. Não houve nenhuma acusação de corrupção no governo Dilma sem que ele apoiasse enfaticamente o acusado. Lula pressionou o governo para não “aceitar as pressões da mídia”. Apresentou a sua gestão como exemplo, ou seja, nunca apurou nenhuma denúncia, mesmo em casos com abundantes provas de mau uso dos recursos públicos. Contudo, seus conselhos não foram obedecidos. Não deve causar estranheza este desprezo pelo interesse público. É típico de Lula. Para ele, o que vale é ter poder. Qualquer princípio pode ser instrumento para uma transação. Correção, ética e moralidade são palavras desconhecidas no seu vocabulário. Para impor a sua vontade passa por cima de qualquer ideia ou de pessoas. Tem obtido êxito. Claro que o ambiente político do país, do herói sem nenhum caráter, ajudou. E muito. Ao longo do tempo, a doença do eterno poder foi crescendo. Começou na sala de um sindicato e terminou no Palácio do Planalto. E pretende retornar ao posto que considera seu. Para isso, desde o dia 1 de janeiro deste ano, não pensa em outra coisa. E toda ação política passa por este objetivo maior. Como de hábito, o interesse pessoal é o que conta. Qualquer obstáculo colocado no caminho será ultrapassado a qualquer custo. O episódio envolvendo o ministro do Esporte é ilustrativo. A defesa enfática de Orlando Silva não dependeu da apresentação de provas da inocência do ministro. Não, muito pelo contrário. O que contou foi a importância para o seu projeto presidencial do apoio do PCdoB ao candidato petista na capital paulista. Lula sabe que o primeiro passo rumo ao terceiro governo é vencer em São Paulo. 2014 começa em 2012. O mesmo se repetiu no caso do Ministério dos Transportes e a importância do suporte do PR, independentemente dos “malfeitos”, como diria a presidente Dilma, realizados naquela pasta. E, no caso, ainda envolvia o interesse pessoal: o suplente de Nascimento no Senado era o seu amigo João Pedro. O egocentrismo do ex-presidente é antigo. Tudo passa pela mediação pessoal. Transformou o delegado Romeu Tuma, chefe do Dops paulista, onde centenas de brasileiros foram torturados e dezenas foram assassinados, em democrata. Lula foi detido em 1980, quando não havia mais torturas. Recebeu tratamento privilegiado, como mesmo confessou, diversas vezes, em entrevistas, que foram utilizadas até na campanha do delegado ao Senado. Nunca fez referência às torturas. Transformou a casa dos horrores em hotel de luxo. E até chegou a nomear o filho de Tuma secretário nacional de Justiça!! O desprezo pela História é permanente. Estabeleceu uma forte relação com o símbolo maior do atraso político do país: o senador José Ribamar da Costa, vulgo José Sarney. Retirou o político maranhense do ocaso político. Fez o que Sílvio Romero chamou de “suprema degradação de retrogradar, dando, de novo, um sentido histórico às oligarquias locais e outorgando-lhes nova função política e social”. E pior: entregou parte da máquina estatal para o deleite dos interesses familiares, com resultados já conhecidos. O desprezo pelos valores democráticos e republicanos serve para explicar a simpatia de Lula para com os ditadores. Estabeleceu uma relação amistosa com Muamar Kadafi (o chamou de “amigo, irmão e líder”) e com Fidel Castro (outro “amigo”). Concedeu a tiranos africanos ajuda econômica a fundo perdido. Nunca — nunca mesmo — em oito anos de Presidência deu uma declaração contra as violações dos direitos humanos nas ditaduras do antigo Terceiro Mundo. Mas, diversas vezes, atacou os Estados Unidos. Desta forma, é considerável a sua ojeriza a qualquer forma de oposição. Ele gosta somente de ouvir a sua própria voz. Não sabe conviver com as críticas. E nem com o passado. Nada pode se rivalizar ao que acredita ser o seu papel na história. Daí a demonização dos líderes sindicais que não rezavam pela sua cartilha, a desqualificação dos políticos que não aceitaram segui-lo. Além do discurso, usou do “convencimento” financeiro. Cooptou muitos dos antigos opositores utilizando-se dos recursos do Erário. Transformou as empresas estatais em apêndices dos seus desejos. Amarrou os destinos do país ao seu projeto de poder. Como o conde de Monte Cristo, o ex-presidente conta cada dia que passa. A sua “vingança” é o retorno, em 2014. Conta com a complacência de um país que tem uma oposição omissa, ou, na melhor das hipóteses, tímida. Detém o controle absoluto do PT. Usa e abusa do partido para fortalecer a sua capacidade de negociação com outros partidos e setores da sociedade. É obedecido sem questionamentos. Lula é uma avis rara da política brasileira. Nada o liga à nossa tradição. É um típico caudilho, tão característico da América Hispânica. Personalista, ególatra, sem princípios e obcecado pelo poder absoluto. E, como todo caudilho, quer se perpetuar no governo. Mas os retornos na América Latina nunca deram certo. Basta recordar dois exemplos: Getúlio Vargas e Juan Domingo Perón. MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

domingo, 23 de outubro de 2011

Impunidade

JOÃO UBALDO RIBEIRO Distinto leitor, encantadora leitora, ponham-se na pele de quem tem de escrever toda semana. Não me refiro à obrigação de produzir um texto periodicamente, sem falhar. Às vezes, como tudo na vida, é um pouquinho chato, mas quem tem experiência tira isso de letra, há truques e macetes aprendidos informalmente ao longo dos anos e o macaco velho não se aperta. O chato mesmo, na minha opinião, é o “gancho”, o pé que o texto tem de manter na realidade que o circunda. Claro, nada impede que se escreva algo inteiramente fantasioso ou delirante, mas o habitual é que o artigo ou crônica seja suscitado pelo cotidiano, alguma coisa que esteja acontecendo ou despertando interesse. Pois é. Hoje, outra vez, qual é o gancho? Quer se leia o jornal, quer se converse na esquina, só se fala em ladroagem. Roubalheiras generalizadas, desvios, comissões, propinas. Rouba-se tudo, em toda parte. Roubam-se recursos do governo na União, nos estados e nos municípios. Roubam-se donativos humanitários e verbas emergenciais destinadas a socorrer flagelados. Rouba-se material, rouba-se combustível, rouba-se o que é possível roubar. Qual é, então, o gancho? Só pode ser a ladroagem. Não há outro, pelo menos que eu veja. É o tema do dia, não adianta querer escolher outro, ele se impõe. Hoje creio que não há um só brasileiro ou brasileira (de vez em quando eu acerto no uso desta nova regra de distinguir os gêneros) que não tenha a convicção de que pelo menos a maior parte dos governantes, nos três poderes, é constituída de privilegiados abusivos e larápios, no sentido mais lato que o termo possa ter. Já nos acostumamos, faz parte do nosso dia a dia, ninguém se espanta mais com nada, qualquer mirabolância delinquente pode ser verdade. E também já nos acostumamos a que não aconteça nada aos gatunos. Não só permanecem soltos, como devem continuar ricos com o dinheiro furtado, porque não há muita notícia de devoluções. Ou seja, por mais que alguma autoridade nos diga expressamente o contrário, usando um juridiquês duvidoso e estatísticas entortadas, a verdade é que, no Brasil, o crime compensa. Presumo que até os assaltantes pés de chinelo tenham pelo menos a vaga percepção de que todos os poderosos roubam e, portanto, fica mais uma vez comprovado que quem não rouba é otário. Às vezes, chega a parecer que existe uma central programadora de falcatruas, pois a engenhosidade dos ladrões não tem limites e, hoje, analisar somente os golpes dados em um ou dois ministérios requereria um profissional especializado, com anos de estudo e experiência. É criado um órgão ou despesa, aparece logo uma quadrilha dedicada a furtar desse órgão ou abiscoitar essa despesa. Suspeitamos de tudo, de obras públicas a loterias, da polícia aos tribunais. Contamos nos dedos os governantes, em qualquer dos três poderes, em que ainda acreditamos que podemos confiar — e é crescente a descrença neles, bem como o cinismo e a apatia diante de uma situação que parece insolúvel e da qual, como quem cumpre uma sina má, jamais nos desvencilharemos. Não seria de todo descabida a afirmação de que somos uma sociedade sem lei. Sob certos aspectos, somos mesmo, porque as nossas leis não têm dentes, não mordem ninguém. Mesmo na hipótese de um assassinato ser esclarecido, o que está longe da regra, estamos fartos de ver homicidas ficarem praticamente impunes por força de uma labiríntica e deploravelmente formalista rede de recursos, firulas jurídicas e penas brevíssimas. A possibilidade de, mesmo confesso, um homicida jamais ser de fato punido, a não ser muito levemente, é concretizada todo dia. Aqui matar é cada vez mais trivial e muitos assaltantes atiram pelo prazer de atirar, matam pelo gosto de matar. Não sei em que outro país do mundo o sujeito entra numa delegacia policial levando o cadáver da vítima, mostrando a arma do crime e confessando sua autoria, para ser posto em liberdade logo em seguida, já cercado de advogados e manobras para evitar a cadeia. É difícil de acreditar, mesmo sabendo-se que é verdade documentada. Réu primário, moradia conhecida, ocupação fixa etc. e tal e o sujeito vai para casa quase como se nada tivesse acontecido, talvez até trocando um aperto de mão com o delegado, como já imaginei aqui. Ou seja, é crime, mas é mole matar no Brasil, o preço é muito em conta. E essa situação não envolve apenas os ricos, porque os outros também estão aprendendo, como foi o caso de um jovem assaltante de São Paulo, que muitos de vocês devem ter visto na TV. Apresentou-se numa delegacia espontaneamente, é réu primário, tem residência fixa etc. etc. Embora tenha posto a culpa na vítima, por esta haver reagido, confessou o crime. Foi solto logo em seguida, saindo muito sorridente da delegacia. E, se um dia vier a ser condenado, contará com um mar de recursos à sua disposição, complementados pelos benefícios a que terá direito, com a progressão da pena. Já tive oportunidade de dizer aqui que a melhor maneira de assassinar alguém no Brasil é encher a cara, sair no carro e atropelar a vítima. Encher a cara é agravante em toda parte, mas aqui parece funcionar como uma espécie de atenuante. Fica-se discutindo se o homicídio é doloso ou culposo, se o que vale no caso é o Código de Trânsito ou o Código Penal e, no fim das contas, o que acontece é o atropelador pagar fiança, ir embora para casa e esperar, na pior das hipóteses, ser enquadrado numa dessas leis desdentadas e cumprir pena em liberdade, ou quase isso. O que, somado ao que está dito acima, leva mesmo a concluir que, entre nós, o crime compensa. E, talvez graças aos exemplos dados por parlamentares e outros governantes, estamos assistindo à democratização da impunidade, que gradualmente deixa de ser privilégio dos ricos e poderosos para se estender a todos. Tá dominado. JOÃO UBALDO RIBEIRO é escritor. oglobo.com.br/opiniao Aqui matar é cada vez mais trivial Sent from my iPad

domingo, 16 de outubro de 2011

Economist Saúde e Ondas de rádio.

Difference engine Worrying about wireless Technology and society: Concerns about the danger posed to human health by radio waves are misplaced—and increasingly irrelevant. The use of phones while driving is far more likely to cause harm Sep 3rd 2011 | from the print edition ALTHOUGH the myth that mobile phones cause cancer has been laid to rest, an implacable minority remains convinced of the connection. Their fears have been aggravated of late by bureaucratic bickering at the World Health Organisation (WHO). Let it be said, once and for all, that no matter how powerful a radio transmitter—whether an over-the-horizon radar station or a microwave tower—radio waves simply cannot produce ionising radiation. The only possible effect they can have on human tissue is to raise its temperature slightly. In the real world, the only sources of ionising radiation are gamma rays, X-rays and extreme ultra-violet waves, at the far (ie, high-frequency) end of the electromagnetic spectrum—along with fission fragments and other particles from within an atom, plus cosmic rays from outer space. These are the sole sources energetic enough to knock electrons out of atoms—breaking chemical bonds and producing dangerous free radicals in the process. It is highly reactive free radicals that can damage a person’s DNA and cause mutation, radiation sickness, cancer and even death. By contrast, at their much lower frequencies, radio waves do not pack anywhere near enough energy to produce free radicals. The “quanta” of energy (ie, photons) carried by radio waves in, say, the UHF band used by television, Wi-Fi, Bluetooth, cordless phones, mobile phones, microwave ovens, garage remotes and many other household devices have energy levels of a few millionths of an electron-volt. That is less than a millionth of the energy needed to cause ionisation. All of which leaves doctors more than a little puzzled as to why the WHO should recently have reversed itself on the question of mobile phones. In May the organisation’s International Agency for Research on Cancer (IARC) voted to classify radio-frequency electromagnetic fields (ie, radio waves) as “a possible carcinogenic to humans” based on a perceived risk of glioma, a malignant type of brain cancer. A year earlier, after a landmark, decade-long study undertaken by teams in 13 countries, the IARC had reported that no adverse health effects associated with the use of mobile phones could be found. As for the heating effects of radio waves, the increase in temperature of the skin caused by holding a phone close to the ear was found to be an order of magnitude less than that caused by direct sunlight. The Group 2B classification the IARC has now adopted for mobile phones designates them as “possible”, rather than “probable” (Group 2A) or “proven” (Group 1) carcinogens. This rates the health hazard posed by mobile phones as similar to the chance of getting cancer from coffee, petrol fumes and false teeth. That has not stopped the tinfoil-hat brigade from continuing to believe that deadly waves in the ether are frying their brains. Lately the paranoia has spread to the smart meters being introduced by electrical utilities in various parts of the world. Smart meters are designed to relay wireless messages to the power company about a household’s pattern of electricity use. Such real-time data could help utilities manage their generating capacity more intelligently. But a backlash among homeowners in northern California, who fear they are about to be drenched in dangerous radio waves, has forced a handful of municipalities to slap moratoriums on the smart meters being introduced by Pacific Gas & Electric. Customers will be given the option to keep their old analogue meters, but will be charged for having someone come to read them every month. Actually, smart meters are just about the last thing that people need worry about. In an independent study released in April, the California Council on Science and Technology, an advisory arm of the state legislature, concluded that wireless smart meters produce much lower levels of radio-frequency exposure than many existing household devices—especially microwave ovens. The council noted that, to date, it had not been possible to identify any health problems resulting from potential non-thermal effects of radio waves (should such effects exist). But nor had it been possible to show categorically that there weren’t any. You can’t prove a negative The latter is next to impossible. Indeed, by classifying mobile phones as a Group 2B risk, what the IARC was effectively saying (and the California Council on Science and Technology implying) was that, even if such a health risk exists, there is no way of ever ruling out bias, chance or other confounding circumstance with any reasonable degree of confidence. So, to hedge bets, protect careers and guarantee future funding, the obvious thing to suggest is yet more research on the long-term, heavy use of mobile phones. The most likely result is that the results will be equally inconclusive. And equally irrelevant. The Twitter generation tweets and texts rather than talking. Older people are catching up fast. According to Nielsen, a market-research firm, the number of text messages sent and received by Americans aged between 45 and 54 rose by 75% in the year to the second quarter of 2010. Over the same period, the number of phone calls made and received by adults of all ages fell by 25%. Meanwhile, for those who still insist on yakking, hands-free is fast becoming the norm, thanks to stiffer penalties for using handsets while driving and the spread of Bluetooth headsets. The whole brouhaha over mobile phones causing brain cancer is a monumental irrelevance compared with scofflaws who insist on using their handsets to text or talk while driving. Regretfully, that is a far more likely cause of death or disfigurement than some inexplicable form of radio-induced glioma. from the print edition | Technology Quarterly Recommend 49 Submit to reddit inShare42

sábado, 8 de outubro de 2011

Pensamento Lapidar

Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa: Quando você perceber que para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensa e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

domingo, 2 de outubro de 2011

Resgate do Kuala na Austrália


Vamos começar bem esta semana, refletindo sobre esta mensagem, porque na vida só vale o que temos dentro de nós e o quanto podemos nos doar. Fiquem em paz.
bjs. Como bem disse Mario Quintana...
"Quem não entende um olhar , muito menos entenderá uma longa explicação ."




São pequenos gestos que podem mudar o amanhã de alguém especial.
De vez em quando há coisas bonitas que valem a pena partilhar.
NÃO BASTA APAGAR O FOGO...



Foto da frente de combate ao incêndio que devastou a Austrália.
Essa é uma das imagens mais lindas que já vi. Olha a troca: olhar, gesto....maravilhoso! O universo é um, não importa se somos um monte de átomos que forma a espécie (animal) humana, vegetal, estrelar..... somos poeira atômica do mesmo sistema, do mesmo universo, não somos nem mais nem menos. O que nos faz maior ou menor é isso, esse gesto lindo que vem da chama divina que cada um possui mais ou menos acesa (alguns esquecem ou desconhecem que a possuem) dentro de si.